Autoridades nacionais em Direito Tributário e Direito Financeiro assinaram a Carta de Cuiabá, que alerta a sociedade e instituições sobre repercussões da alteração radical da estrutura constitucional tributária. O documento destaca ainda que a centralização do núcleo tributário na União Federal compromete a Federação, reduzindo a competência tributária dos estados e, de forma mais severa, dos municípios.
O documento é resultado do 8º Congresso Internacional de Direito Tributário e Financeiro, realizado nos dias 3 e 4, pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (por meio da Escola Superior da Magistratura) e pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (por meio da Escola de Contas). Durante esses dois dias, foram debatidos os impactos da reforma tributária nas finanças públicas dos estados e municípios, considerando o texto da Emenda Constitucional nº 132/2023.
A carta traz como proposta de aperfeiçoamento da reforma tributária a revisão dos critérios de partilha dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) para inserir, ao lado do FPE e população, critérios que atendam às características populacionais, econômicas e logísticas dos estados produtores e exportadores de produtos primários e semielaborados. Como exemplo, é citado o que já ocorre na compensação com as perdas decorrentes da Lei Kandir (LC 176/2020), que distribui os recursos desta reparação de acordo com a participação dos Estados na exportação de produtos primários e semielaborados.
Também adverte que a emenda constitucional da reforma aponta a figura de um comitê gestor, porém, sem definição específica quanto à natureza jurídica e sem linhas definidas de controle e fiscalização.

O proponente da carta, desembargador Márcio Vidal, aponta que a reforma ignora as diversas realidades estruturais, naturais, econômicas e sociais do país, agravando desigualdades e prejudicando especialmente setores como o agronegócio e a mineração, fundamentais para o PIB nacional. “Após todo este estudo sobre sistema tributário e com o reflexo no direito financeiro, percebi: o que estávamos fazendo que não vimos o que está por vir?! Precisamos estudar e buscar conhecimento, como fizemos ao longo desse seminário, para que possamos mitigar os impactos. Quem resolverá o problema somos cada um de nós, com interesse maior nos problemas sociais que enfrentamos, como fome, violência e tirania com que convivemos.”

A juíza organizadora da carta e do evento, Gabriela Carina Knaul de Albuquerque e Silva, explica que, mais que propor a Carta de Cuiabá, é necessário que as proposições que ali estão, sejam acompanhadas. “Pudemos perceber ao longo desses dois dias como é desafiador o tema da reforma tributária e os impactos que serão causados nas diferentes perspectivas: social, de gestão e de planejamento para a iniciativa privada e finanças públicas. A pluralidade de visões sobre a reforma nos mostra que precisamos promover debates profundos e técnicos e avaliar todos os desafios que se apresentam; por isso, vamos ainda eleger um grupo técnico para que seja feito o acompanhamento de todo teor da Carta de Cuiabá e que possa acompanhar todo o período de transição da reforma tributária, mudanças e necessidade de ajustes no período de transição.”

O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, destacou a importância da carta como um instrumento que transforma os debates em propostas efetivas. “Eu entendo que, quando se faz uma grande discussão, é preciso chegar ao final e registrar o que foi tratado, escrito e relatado”, afirmou. Segundo o Sérgio Ricardo, a proposta é que o documento traduza a realidade fiscal e econômica do estado e de seus municípios diante da Reforma Tributária. “Mato Grosso é um estado diferenciado dos demais. Na hora da partilha e da discussão da reforma, é preciso deixar claro que nossos municípios vão perder tanto, cada um deles. Relatar município por município, perda por perda, ganho por ganho, continua sendo o processo de conhecimento”, disse.
A carta foi assinada pelos organizadores do Congresso, parceiros institucionais e diversos participantes.
Assessoria de Comunicação
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT)
65 99972-8988
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT)
65 99972-8988
De: Escola Superior da Magistratura (ESMAGIS) <esmagis@tjmt.jus.br>
Enviado: quinta-feira, 6 de novembro de 2025 18:29
Para: Escola Superior da Magistratura (ESMAGIS) <esmagis@tjmt.jus.br>
Assunto: ESMAGIS- Carta de Cuiabá – 8º Congresso Internacional de Direito Tributário e Financeiro
Enviado: quinta-feira, 6 de novembro de 2025 18:29
Para: Escola Superior da Magistratura (ESMAGIS) <esmagis@tjmt.jus.br>
Assunto: ESMAGIS- Carta de Cuiabá – 8º Congresso Internacional de Direito Tributário e Financeiro
Prezados(as) Senhores(as),
A Escola Superior da Magistratura do Estado de Mato Grosso (Esmagis-MT), encaminha a Carta de Cuiabá , resultado dos debates realizados durante o 8º Congresso Internacional de Direito Tributário e Financeiro , ocorrido nos dias 3 e 4 de novembro de 2025, nesta Capital.
O documento apresenta uma análise técnica sobre os impactos da Reforma do Sistema Tributário Brasileiro nas finanças públicas estaduais e municipais, bem como destaca que a centralização do núcleo tributário na União Federal compromete a Federação, reduzindo a competência tributária dos estados e, de forma mais severa, dos municípios, trazendo pontos de atenção para o planejamento fiscal e a gestão orçamentária dos entes federativos.
Convidamos a toda sociedade à leitura atenta e ampla divulgação desta carta, com vistas a fomentar pesquisas, publicações e debates que aprofundem os temas abordados e contribuam para o aprimoramento do sistema tributário nacional.
O evento foi realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (por meio da Escola Superior da Magistratura), Tribunal de Contas de Mato Grosso (por meio da Escola de Contas) e pela Sociedade Brasileira de Direito Financeiro (SBDF).
Desembargador Márcio Vidal – Diretor-Geral da Esmagis-MT
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