Sintep-MT rebate defesa do governo por escolas cívico-militares

Sintep-MT rebate defesa do governo por escolas cívico-militares

 O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) criticou o posicionamento manifestado pelo governador Otaviano Pivetta, nesta semana, ao demonstrar insatisfação com os índices educacionais do estado e defender a ampliação do modelo cívico-militar.

As notícias registram o anseio do governo em elevar os índices da educação estadual a patamares internacionais. Quanto a isso, o Sindicato afirma apoiar a meta, mas questiona os métodos adotados pelo Executivo, além de indagar quais países com melhores índices educacionais utilizam a militarização nas escolas como estratégia para melhorar a aprendizagem.

 SINTEP-MT/FRANCISCO ALVES

Sintep-MT/Francisco Alves

Presidente em exercício do Sintep-MT, Maria Celma Oliveira, afirma que as escolas cívico-militares comprometem recursos da educação pública.

“Quem disse que as escolas não militarizadas não trabalham a disciplina, o respeito, os valores humanos e familiares? questiona a presidente do Sintep-MT, María Celma Oliveira.

Para o Sintep-MT, o governo tem gerado gastos desnecessários ao comprometer investimentos da educação. Recursos que, segundo a entidade, deveriam ser aplicados na realização de concursos públicos para todos os cargos da carreira, valorização profissional e formação continuada dos profissionais da educação, capacitando-os para lidar com a complexidade social.

Em entrevista recente à mídia, o presidente licenciado do Sintep-MT, Henrique Lopes, destacou que não há estudos que comprovem as afirmações feitas pelo governo sobre melhoria da aprendizagem ou redução da violência. Além disso, a própria imprensa tem mostrado casos de violência em escolas estaduais que adotam o modelo cívico-militar.

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Para o sindicalista, o governo de Mato Grosso assume um custo alto para manter militares da reserva nas unidades, enquanto deixa de investir na valorização dos profissionais da educação, e capacitação para atuar com a complexidade social que adentra a escola.

A entidade defende o fortalecimento da carreira educacional, na qual Mato Grosso sempre foi referência nacional em valorização e qualificação dos profissionais da educação. Segundo o Sintep-MT, o atual modelo, expandido para 205 unidades, representa uma disfunção na carreira, ao destinar recursos da educação para servidores que deveriam ser remunerados pela segurança pública. Enquanto os profissionais da educação veem seus salários-base, que são piores, comparados a todas as carreiras do executivo com a mesma formação, ficarem ainda mais desvalorizados.

“É necessário que o governo dê as mesmas condições para escolas não militarizadas, que garanta profissionais de carreira para todos os segmentos em número suficiente para atender às demandas escolares e com valorização salarial de verdade; só assim podemos dizer qual modelo é melhor. Porque o que se vê hoje é exatamente o contrário: nas escolas regulares, os trabalhadores estão sobrecarregados. Precarizam-se as escolas regulares para justificar a adoção do atual modelo tido como o ‘melhor’ “, destaca a presidente.

“O que é preciso compreender que o papel da educação e da disciplina pedagógica deve estar voltado à aprendizagem e à redução das desigualdades sociais e das discriminações, incluindo racismo, misoginia e transfobia”, conclui a presidente em exercício do Sintep-MT, Maria Celma Oliveira.

 

Por: Roseli Riechelmann – Sintep-MT

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