O Brasil celebrou 202 anos da sua primeira Constituição no dia 25 de março. As reflexões que essa data desperta continuam mais vivas do que nunca. Falar de Constituição não é remexer em papéis velhos de arquivo; é falar de sangue, de luta e da alma de um povo.
Nossa jornada constitucional começou com um paradoxo. Em novembro de 1823, o Brasil viveu a “Noite da Agonia”: Dom Pedro I ordenou que o Exército cercasse a Assembleia Constituinte, prendeu e exilou parlamentares e, a portas fechadas, reuniu dez homens de confiança para redigir nossa primeira Carta Magna.
Curiosamente, esse início autoritário gerou a Constituição mais longeva da nossa história, 65 anos de vigência, atravessando guerras e crises. Em 1889, quando a República foi proclamada, a Carta de 1824 era a segunda mais antiga do mundo em vigor, atrás apenas da dos Estados Unidos.
Estável, mas profundamente excludente. Mulheres, indígenas, analfabetos e trabalhadores pobres não tinham voz política; o voto era privilégio de quem tinha renda. E o silêncio mais ensurdecedor era sobre a escravidão: a “lei fundamental” de uma nação construída por mãos negras simplesmente ignorou esse crime, invisibilizando milhões de brasileiros por conveniência da elite.
Desde então, o Brasil escreveu outras seis constituições, cada uma espelho de sua época: 1891, o nascimento da República; 1934, os primeiros avanços trabalhistas; 1937 e 1967, as páginas sombrias do autoritarismo; 1946 e 1988, os momentos de retomada democrática.
A Constituição de 1988 é o nosso maior triunfo coletivo. Pela primeira vez, o povo foi ouvido de verdade. Ela nos deu o SUS, o voto universal, a proteção ambiental, o reconhecimento das terras indígenas e a liberdade de imprensa. Não é um texto perfeito, nenhuma obra humana é —, mas é o nosso pacto de convivência. E pactos existem para ser honrados, não rasgados.
Em um ano eleitoral como 2026, olhar para esses 202 anos é fundamental. A democracia não caiu do céu; ela foi conquistada com prisões, exílios e muita resistência. Preservá-la é dever de cada cidadão e, especialmente, de cada representante eleito. Que o Dia da Constituição seja um compromisso renovado com o Brasil que ainda queremos construir.
Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT)
-
-
-
Clique abaixo e veja também
Proteção Anti DDOS. Para seu website
Servidor dedicado no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Servidor VPS no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Hospedagem compartilhada para seus projetos online
Hospedagem Claud para seus projetos online