A vereadora Michelly Alencar expressou em entrevista à imprensa, críticas à imposição da proibição de desfiliação do União Brasil, afirmando que sua inclusão na composição da chapa estadual está sendo utilizada meramente para atender à cota mínima de participação feminina estabelecida pela Justiça Eleitoral. Segundo ela, essa estratégia ressalta a percepção de que sua presença na candidatura é apenas um número instrumental, sem o devido reconhecimento de suas aspirações políticas.
Michelly Alencar manifestou seu interesse em concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Partido Novo, no entanto, a janela de troca partidária vigente neste mês se aplica exclusivamente a políticos com mandato estadual e federal, excluindo os vereadores. Essa restrição resultou na impossibilidade de troca partidária para os vereadores do estado pelo União Brasil.
A vereadora afirmou que as articulações em torno da chapa estadual a fazem sentir-se como um mero cumprimento de cota, declarando: “A impressão que se tem até o presente momento é de que a vereadora Michelly serve apenas para atender a cota mínima exigida para a participação feminina. A conotação é clara: ‘Queremos sua presença para auxiliar na eleição de nossos candidatos, mas não para que você própria seja eleita’”.
Adicionalmente, ela ressaltou que, se estivesse realmente atuando como uma figura relevante na construção dessa chapa, esperaria estar inserida em um diálogo construtivo.
A chapa do União Brasil para a Assembleia Legislativa é considerada uma das mais competitivas, sendo muitas vezes referida como “chapa da morte”, dado que conta com a presença de quatro deputados em busca de reeleição: Eduardo Botelho, Dilmar Dal Bosco, Júlio Campos e Sebastião Rezende. Nos bastidores, o partido manifesta a expectativa de reeleição de todos eles, o que praticamente inviabiliza a ascensão de novos candidatos.
Michelly questionou: “Historicamente, serei apenas um número para garantir a eleição desses quatro parlamentares? Essa crítica não é direcionada a eles, mas à forma como as candidaturas estão sendo estruturadas”.
Por outro lado, a vereadora rechaçou as críticas que alegam que o partido proporcionou uma infraestrutura que a favoreceu em sua eleição como vereadora, respondendo às afirmações do deputado Eduardo Botelho, que exigiu lealdade ao União.
Ela esclareceu que não desfrutou de privilégios na sigla, enfatizando que, em muitos casos, candidatos do sexo masculino receberam maiores recursos financeiros do que ela. “As alegações de que eu deveria permanecer por conta da estrutura que recebi não se sustentam, uma vez que essa mesma assistência foi disponibilizada a todos os membros do partido. Não fui privilegiada e, portanto, não posso aceitar essa narrativa”, concluiu.