A juíza Helícia Vitti Lourenço, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, rejeitou o recurso do ex-procurador da Assembleia Legislativa, Luiz Eduardo Figueiredo Rocha e Silva, que buscava anular o júri pelo homicídio de Ney Müller Alves Pereira. Em sua decisão, publicada nesta sexta-feira (12), a magistrada mencionou que a defesa de Luiz Eduardo ameaçou representá-la no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) caso ela o denunciasse à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por sua conduta durante uma audiência.
Durante o processo, o advogado teria ultrapassado os limites ao solicitar a prisão de David Wilkerson, irmão da vítima, por não ter respondido a uma pergunta. A juíza negou o pedido.
“Ao atacar a decisão judicial de forma inadequada, a defesa apresenta alegações equivocadas, buscando evitar que a OAB seja notificada sobre o tratamento dispensado a um informante que perdeu o irmão em um ato de violência durante um ato judicial. Além disso, distorce fatos gravados e escritos, justificando sua postura como exercício do direito de defesa, sob pena de a magistrada ser representada no CNJ”, afirmou a juíza.
O recurso do ex-procurador alegava suspeições na decisão, como contradições e omissões sobre a quebra de incomunicabilidade das testemunhas e a valoração do depoimento de David, que teria ouvido outros testemunhos. Contudo, a juíza ressaltou que o depoimento dele como informante não teve influência no convencimento do juízo.
Outras alegações questionavam a fundamentação da pronúncia que resultou no julgamento por júri popular, bem como a análise das qualificadoras, com a defesa argumentando legítima defesa e apontando contradições sobre a dinâmica do disparo que matou Ney.
A magistrada afirmou que revisou todas as teses apresentadas, mas não é obrigada a rebater cada uma delas individualmente. “Conforme a jurisprudência dos tribunais superiores, o Juízo não precisa enfrentar todos os argumentos da defesa, exceto em casos específicos de preliminares e questões prejudiciais de mérito, o que não se aplica aqui”, explicou.
Com base nessas considerações, a juíza concluiu que as alegações da defesa visam apenas expressar inconformismo com a condução do processo e as decisões já tomadas. Ela manteve a sentença anterior, determinando que o ex-procurador seja julgado pelo júri popular e que sua prisão permaneça.
O crime
Ney Pereira, morador de rua, foi assassinado com um tiro na cabeça no dia 9 de abril, na Avenida Edgar Vieira, próximo à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O crime, registrado por câmeras de segurança, gerou grande repúdio na comunidade.
Em seu depoimento, Luiz Eduardo afirmou que estava jantando com a família no estacionamento do Posto Matrix quando Ney começou a depredar veículos, incluindo sua Land Rover. Após verificar os danos, ele retornou ao jantar e levou a família para casa. Em seguida, alegou que iria a um posto policial para relatar o incidente, mas, segundo a polícia, “caçou” a vítima na região e, ao encontrá-la, disparou contra sua testa.
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