VANTAGEM ILICITA: produtores rurais em MT são indiciados pela Policia Civil por estelionato e fraude agrícola

VANTAGEM ILICITA: produtores rurais em MT são indiciados pela Policia Civil por estelionato e fraude agrícola

A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso indiciou dois produtores rurais, Rodrigo Piccinini e Diego Sichocki, pela suposta prática de estelionato e fraude agrícola, especificamente defraudação de penhor. Este esquema envolve, segundo as investigações, o desvio de mais de 43 mil sacas de soja, avaliadas em aproximadamente R$ 9 milhões, cultivadas nos municípios de Água Boa e Ribeirão Cascalheira, que deveriam ser entregues à empresa Sementes Petrovina.

O inquérito, sob a responsabilidade do delegado Bruno Gomes Borges, ainda está pendente de deliberação judicial.

Conforme o relatório policial, Rodrigo Piccinini utilizou meios fraudulentos para comprometer as garantias reais, ocultando e desviando o produto agrícola em prejuízo direto da empresa credora.

A investigação teve início após a Sementes Petrovina comunicar que forneceu sementes de soja para as safras de 2023/2024 e 2024/2025, por meio de uma operação do tipo barter, em que o pagamento é realizado com a entrega futura dos grãos. Para assegurar a transação, foram emitidas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com penhor e alienação fiduciária.

Entretanto, as autoridades constataram que, embora a safra tenha sido colhida, Piccinini não entregou os grãos nos armazéns da Cargill, conforme estipulado. Em vez disso, a produção foi pulverizada em outros locais e registrada em nome do sócio e avalista, Diego Sichocki.

O relatório policial menciona que restou comprovada a prática de fraude dolosa, utilizando artifícios para obter vantagem ilícita em detrimento da empresa credora.

As auditorias indicaram que a produção de soja totalizou aproximadamente 4.501.602 kg, mas apenas uma fração (cerca de 413.270 kg) foi rastreada em locais não autorizados.

Defesa nega acusações

Em seu depoimento, Rodrigo Piccinini negou as acusações de desvios, alegando que a baixa produtividade decorreu de alagamentos na Fazenda Canaã. Por sua vez, Diego Sichocki afirmou ser meramente avalista e que a soja registrada em seu nome era de sua produção particular no Sítio Agico.

Entretanto, após análise, o delegado concluiu que a participação de Sichocki extrapolou a mera condição de avalista, caracterizando uma unidade de desígnios com Rodrigo Piccinini, com o intuito de frustrar a execução das garantias reais.

 

Redação JA / Foto: reprodução

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *