O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), através da 7ª Promotoria Cível de Cuiabá – Saúde Coletiva, tem acompanhado regularmente a situação do fornecimento de medicamentos nas unidades básicas de saúde da capital. O objetivo dessa ação é garantir que a Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (Remume) seja cumprida, assegurando que a população tenha acesso aos itens necessários.
A primeira ação formal ocorreu em janeiro de 2025, quando o promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto enviou uma notificação recomendatória ao prefeito Abílio Brunini e à secretária municipal de Saúde, Lúcia Helena Barboza, solicitando a reposição dos estoques. O documento destacou que, ao adotar a lista da Remume, o município assume a responsabilidade legal de fornecer medicamentos a todos os cidadãos, sem exigências de contrapartida.
Desde então, o MPMT tem promovido reuniões regulares com representantes da Secretaria Municipal de Saúde e da Equipe de Apoio e Monitoramento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), exigindo ações efetivas. Na última reunião, realizada dois dias após uma vistoria técnica em 28 de maio, o promotor pediu que fossem enviados, em até cinco dias úteis, todos os documentos relacionados a licitações, compras indenizatórias e o cronograma de obras da secretaria.
O relatório técnico da vistoria de 28 de maio de 2025 indicou que 25% dos medicamentos da Remume estavam em falta no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC). Dos 153 medicamentos listados, 39 estavam indisponíveis, incluindo itens essenciais como Amoxicilina, Dipirona, Metformina, Sulfato Ferroso, além de psicotrópicos como Fluoxetina e Carbamazepina.
Além da escassez, o relatório apontou sérias falhas na logística de distribuição, agravadas pela falta de motoboys e veículos, obrigando as unidades de saúde a retirar os insumos diretamente do CDMIC. Um dado alarmante foi o descarte de mais de 1 milhão de comprimidos de Enalapril, apesar da demanda ativa, evidenciando problemas no planejamento e na gestão de estoques.
Entre janeiro e maio, a média mensal de medicamentos em falta foi de 38 itens, com um pico de 43 em abril. A descontinuidade de contratos com o Consórcio Intermunicipal de Saúde (CISVARC) e a indefinição quanto a novos processos licitatórios foram identificadas como causas do desabastecimento.
O promotor Milton Mattos enfatizou que, conforme o TAC, o município deve garantir a aquisição regular de medicamentos e insumos, além de adotar medidas para evitar o descarte de medicamentos vencidos — 2.931 unidades foram inutilizadas no período em questão.
“O Município de Cuiabá deve assegurar, continuamente, a disponibilidade de todos os medicamentos padronizados nas unidades de saúde, mantendo uma comunicação eficiente entre o CDMIC e os demais pontos de atendimento”, afirmou o promotor.
Ele também alertou que, caso não sejam tomadas providências rapidamente, serão adotadas medidas judiciais para garantir o direito da população ao acesso contínuo a medicamentos essenciais.
-
Clique abaixo e veja também
Proteção Anti DDOS. Para seu website
Servidor dedicado no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Servidor VPS no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Hospedagem compartilhada para seus projetos online
Hospedagem Claud para seus projetos online