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Presidente do TCE aponta falhas gravissimas em conteúdos de livros didáticos na Seduc-Cuiabá

Presidente do TCE aponta falhas gravissimas em conteúdos de livros didáticos na Seduc-Cuiabá

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, apontou graves falhas na entrega de livros didáticos feita pela Secretaria de Educação de Cuiabá. Segundo ele, os responsáveis pelo processo estão sob investigação após denúncia de possíveis irregularidades.

Nesta sexta-feira (29), Sérgio Ricardo e o prefeito Abílio Brunini (PL) realizaram uma vistoria no almoxarifado da Educação. No local, constataram milhares de itens adquiridos na gestão do ex-secretário Amauri Monge, em contratos que somariam cerca de R$ 80 milhões — bens que, conforme a avaliação do TCE, não teriam utilidade prática para os estudantes.

Entre os materiais verificados, estavam 16 mil livros voltados à educação financeira e à informática. De acordo com o conselheiro, as compras teriam alcançado valores de até aproximadamente R$ 800 por unidade e incluído materiais que, em tese, teriam sido produzidos com uso de inteligência artificial (IA). Além disso, Sérgio Ricardo afirmou que muitos dos conteúdos apresentavam erros de português, como concordância e problemas na escrita.

“A gente vê que tem livro de valor alto com erro de português, de concordância. Isso mostra falta de cuidado com o material e, mais do que isso, caracteriza um desrespeito com a gestão pública e com a qualidade do que chega nas escolas”, declarou.

Ele também disse que o TCE vai ampliar as apurações para identificar os responsáveis e responsabilizá-los pelas irregularidades, destacando tratar-se de um caso “gravíssimo” de gestão pública e de possíveis atos de improbidade.

Na sequência, durante outra vistoria, na Escola Municipal Francisco Pedroso da Silva, Abílio e o presidente do TCE-MT encontraram também indícios de irregularidade em kits didáticos, como os de saúde bucal. Segundo o conselheiro, haveria cobrança e comercialização em modelo que repete o mesmo material em ciclos curtos, elevando custos especialmente por conta da impressão.

“Tem kit de saúde bucal, outra fraude. Estão vendendo como se fosse a cada três meses, com o mesmo material. O que encarece, na prática, é o material impresso”, afirmou.

Redação JA / Foto: reprodução