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Candidato ao Senado José Medeiros lança narrativa de perseguição sem provas, em jogada eleitoral desesperada

Candidato ao Senado José Medeiros lança narrativa de perseguição sem provas, em jogada eleitoral desesperada

O deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso José Medeiros (PL) usou essa semana de uma estratégia de campanha de baixa estatura para ganhar simpatia em plena reta eleitoral, ao afirmar ter procurado pessoalmente o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) após receber uma suposta informação de que uma operação contra ele estava sendo articulada — sem apresentar qualquer detalhe ou prova para embasar a afirmação.

A declaração, que surge em meio à disputa acirrada pelas duas vagas no Senado mato-grossense, foi feita após o vazamento de um áudio em que o parlamentar parece se eximir de críticas ao STF ao conversar com o prefeito de Diamantino Chico Mendes, irmão do ministro do STF. Na gravação, Medeiros confessa que mandou retirar de todas as peças de campanha todas as referências críticas à Corte, numa clara tentativa de evitar atritos com o órgão — o que contraria sua posterior tentativa de se apresentar como um defensor da institucionalidade, mas disposto a derrubar ministros que considere contrários à Constituição.

Em uma manifestação pensada para mobilizar eleitores descontentes com a política tradicional, Medeiros classificou a disputa eleitoral mato-grossense como a “mais suja da história”, acusando seus adversários de focarem todos os ataques na corrida pelas vagas no Senado. “A última jogada foi tentar articular uma operação contra mim e, assim que soube disso, eu fui pessoalmente a Brasília procurar o ministro Gilmar Mendes e dizer-lhe cara a cara que não tenho nada a temer porque não devo nada”, afirmou o candidato, que não conseguiu nomear quem estaria por trás da suposta articulação nem indicar qual órgão estaria realizando a operação — e até admitiu que não há qualquer investigação em andamento contra seu nome.

A estratégia eleitoral de Medeiros parece ser a de se apresentar como uma vítima, ao declarar que uma eventual operação contra ele na reta da campanha teria o efeito contrário ao pretendido por seus inimigos: “Se fizerem uma operação contra mim nesta reta final da campanha, eles vão me eleger”. Mas críticos da campanha apontam que a afirmação é mais uma tentativa de desviar a atenção de questionamentos que pairam sobre a carreira do deputado, ao invocar o ministro do STF para se eximir de qualquer responsabilidade.

O candidato ainda afirmou acreditar que seus adversários estariam tentando atingir sua reputação por meio de sua família e de uma devassa em sua vida pessoal, desafiando seus críticos a apresentarem provas de crimes praticados por ele ou por seus suplentes — mas sem oferecer qualquer prova de que tais ataques estão de fato sendo preparados.

No áudio vazado, Medeiros confessa que não costuma atacar o STF, confessando ter determinado à sua equipe de marketing retirar todas as críticas à Corte das peças de campanha. “Eu não ataco o STF, viu, Chico. […] Eu não leio um texto para gravação que tenha qualquer coisa mencionando o STF”, afirmou na gravação, que o próprio deputado confirmou como autêntica, atribuindo o vazamento a uma ação de campanha adversária.

Mas a conversa também revela uma ressalva: Medeiros admitiu não ter restrições a criticar o ministro Alexandre de Moraes, o que parece uma tentativa de apelar aos eleitores que criticam o ministro, ao mesmo tempo em que invoca o STF para se proteger de ataques. Após o vazamento, o candidato ainda disse que, apesar de defender a preservação institucional do Supremo, votaria pelo impeachment de ministros que, na sua avaliação, atuassem contra a Constituição — uma afirmação que parece contraditar a sua tentativa de se eximir de críticas ao órgão na gravação.

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Redação JA / Foto: reprodução web