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Vice-prefeita de Cuiabá Vânia Rosa (MDB) desiste da candidatura à deputada estadual

Vice-prefeita de Cuiabá Vânia Rosa (MDB) desiste da candidatura à deputada estadual
Na política, desistir de uma candidatura nem sempre significa perder. Às vezes, significa simplesmente mudar a estratégia e permanecer sentado numa cadeira que pode valer muito mais adiante.
A vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa (MDB), decidiu renunciar à candidatura a uma vaga na Assembleia Legislativa. Segundo o MidiaNews, ela protocolou nesta segunda-feira (17), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), um requerimento solicitando a renúncia de sua candidatura. A reportagem informa que Vânia não apresentou publicamente a motivação da decisão.
Mas, na política, toda renúncia produz uma pergunta: o que se perde e o que se preserva?
Vânia perde, pelo menos por enquanto, a disputa eleitoral por uma cadeira na Assembleia. Em compensação, preserva sua condição de vice-prefeita e continua posicionada na linha sucessória do Palácio Alencastro.
E é justamente aí que a história começa a ficar interessante.
Segundo o MidiaNews, caso não dispute a eleição, Vânia fica habilitada a assumir a Prefeitura de Cuiabá se o prefeito Abilio Brunini (PL) se licenciar para participar da campanha de sua esposa, a vereadora Samantha Iris (PL), que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
A matemática política é simples: enquanto alguns terão de percorrer ruas, pedir votos e enfrentar urnas, Vânia permanece na cadeira de vice.
E vice, em determinadas circunstâncias, deixa de ser apenas vice.
Pode virar prefeita.
É claro que isso depende de uma série de movimentos políticos e jurídicos. Abilio pode permanecer no cargo e concluir seu mandato normalmente. A eventual licença dependerá de sua decisão e das regras eleitorais aplicáveis.
Mas a possibilidade já é suficiente para movimentar os bastidores.
Há ainda outro ingrediente nessa equação: as críticas à administração de Abilio. Adversários e setores da política cuiabana têm classificado sua
condução da Prefeitura como marcada por amadorismo. Essa, entretanto, é uma avaliação política, e não um fato objetivo sobre o futuro do mandato.
O fato concreto é que Abilio continua prefeito.
O restante pertence ao terreno das possibilidades, das articulações e daquela velha especialidade da política brasileira: imaginar o amanhã enquanto ainda se tenta administrar o hoje.
Nesse cenário, a renúncia de Vânia pode ser lida como uma decisão pragmática.
Ela deixa de disputar uma cadeira na Assembleia para preservar uma posição que, dependendo dos acontecimentos, pode colocá-la diante de uma cadeira ainda maior.
E talvez esteja aí a verdadeira ironia da história.
Vânia não saiu do jogo. Apenas deixou de correr atrás de uma cadeira para continuar próxima daquela que pode, eventualmente, ficar vazia.
Na política, há quem dispute o mandato.
Há quem espere o mandato.
E há quem perceba que, às vezes, o melhor lugar para estar não é na fila para entrar.
É exatamente ao lado da porta.
 “Renúncia no TRE”, publicada em 17 de agosto de 2026.
Redação JA / Foto: reprodução