Mais de 5 milhões de denúncias acerca do trabalho foram registradas no Brasil entre os anos de 2024 e 2026, segundo um levantamento inédito do Escavador. Às vésperas do feriado do Dia do Trabalhador, 1º de maio, a data é marcada pelo alto índice de ações trabalhistas entre as federações, fechando o primeiro quadrimestre do ano (2026) com mais de meio milhão de queixas – registrando um total de 760 mil processos.
Em meio às discussões na Câmara pelo fim da Escala 6×1, os processos acerca da jornada exaustiva do trabalhador, problemas com FGTS, férias, estágio, justa causa, aviso prévio, assédio moral e sexual, adicional de risco, gratificação, aposentadoria, seguro-desemprego, planos de saúde e até ‘trabalho aos domingos’ somam mais de 500 categorias de processos trabalhistas divulgadas pela plataforma.
Com pelo menos 183 mil processos rodando os tribunais brasileiros no mês de abril (2026), o primeiro quadrimestre do ano já superou o mesmo período em 2025, com uma diferença de +2,9 pontos percentuais. Diante do alto número de denúncias da classe trabalhadora, a preocupação das autoridades é não repetir a dose recorde de 2025, marcada por cerca de 2,23 milhões de ações trabalhistas.
No comparativo ao ano de 2024, em que o Brasil registrou 2 milhões de denúncias, o ano de 2025 representou um aumento de 8% no número de processos. Segundo a Coordenadora Jurídica e DPO da plataforma Escavador, Dalila Pinheiro, as dificuldades na readequação dos contratos durante o período de transição da escala 6×1, como a manutenção de salários, o redesenho das jornadas de trabalho e a compensação via banco de horas, podem potencializar o aumento de ações trabalhistas em 2026, caso não haja segurança jurídica e clareza nas novas regras.
“A preocupação, neste momento, é não repetir a escalada de 8,5% do número de processos, no comparativo entre 2024 e 2025. No entanto, a oscilação do humor do mercado, com as discussões do fim da Escala 6×1 e as alterações da NR-1 (que contemplam as diretrizes gerais da ‘Segurança e Saúde no Trabalho’ no Brasil), com os riscos psicossociais (saúde mental) agora avaliados durante o expediente, podem fazer com que o ano de 2026 seja um marco no número de processos da classe trabalhista”, explica Dalila Pinheiro.
No comparativo entre as regiões, o Sudeste tem se destacado por agrupar o maior número de denúncias, registrando a fatia de 51,9% dos processos. A avaliação do Escavador por região, referente ao período entre 2024 e 2026, mostra o Sudeste com 2,62 milhões de processos; seguido pelo Nordeste com 909 mil denúncias (18%); Sul, que concentra 770 mil ações (15,2%); o Centro-Oeste com 427 mil ações (8,4%); finalizando com a região Norte, que possui 314 mil processos (6,2%).
Ao mesmo tempo em que o Sudeste brasileiro se destacou por gerar o maior número de empregos em 2025, com 504 mil vagas, segundo dados do Novo Caged, a região também se destacou pelo maior número de queixas entre trabalhadores. Segundo o Escavador, os três primeiros estados do ‘ranking de processos trabalhistas’ compreendem São Paulo, com 1,6 milhões de processos entre 2024 e 2026, seguido por Rio de Janeiro (457 mil) e Minas Gerais (455 mil).
Para se ter uma noção, o estado de São Paulo recebeu 1,9 mil vezes mais denúncias do que o Acre, que aparece entre os últimos estados do ranking trabalhista, com apenas 844 processos. Após o top 3 estados do Sudeste, o ranking continua com Rio Grande do Sul (4º), com 328 mil ações; Paraná (5º), com 277 mil; Bahia (6º), com 216 mil processos; Goiás (7º), com 183 mil; Pernambuco (8º), com 183 mil; Santa Catarina (9º), com 164 mil; e Ceará (10º), com 139 mil ações trabalhistas registradas no período analisado.
Ainda de acordo com Dalila Pinheiro, do Escavador, o cenário atual revela que o trabalhador brasileiro está muito mais atento aos seus direitos. “Isso contribui para um aumento na busca por informações e na formalização das denúncias, refletindo uma maior conscientização no ambiente de trabalho. Em contrapartida, empresas e o setor público também podem mapear as principais denúncias relacionadas ao trabalho, implantando soluções inteligentes e efetivas na raíz do problema”, conclui a Coordenadora Jurídica.
Confira a lista de processos trabalhistas por estado (entre 2024 e 2026):
São Paulo (SP) – 1.631.488
Rio de Janeiro (RJ) – 457.469
Minas Gerais (MG) – 455.520
Rio Grande do Sul (RS) – 328.984
Paraná (PR) – 277.398
Bahia (BA) – 216.224
Goiás (GO) – 183.207
Pernambuco (PE) – 183.076
Santa Catarina (SC) – 164.327
Ceará (CE) – 139.220
Pará (PA) – 122.846
Distrito Federal (DF) – 91.040
Mato Grosso (MT) – 85.833
Maranhão (MA) – 81.332
Amazonas (AM) – 79.625
Paraíba (PB) – 77.776
Espírito Santo (ES) – 76.008
Mato Grosso do Sul (MS) – 67.811
Rio Grande do Norte (RN) – 62.045
Sergipe (SE) – 57.384
Alagoas (AL) – 51.182
Piauí (PI) – 41.049
Amapá (AP) – 39.307
Rondônia (RO) – 34.800
Tocantins (TO) – 23.642
Roraima (RR) – 13.762
Acre (AC) – 844
Distribuição de casos por região:
Sudeste – 2.620.485
Sul – 770.709
Nordeste – 909.288
Centro-Oeste – 427.891
Norte – 314.826
Assessoria de imprensa / Foto: divulgação
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