Ferramentas de automação e classificação de processos permitem redução de custos de até 60% e mais velocidade nos fluxos internos
O volume de processos judiciais no Brasil cresceu de forma acelerada após a pandemia e expôs um gargalo estrutural no sistema jurídico: como lidar com mais demandas, margens menores e equipes sobrecarregadas sem comprometer a qualidade do serviço. Dados oficiais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmam essa realidade: o Judiciário encerrou 2023 com mais de 83 milhões de processos em tramitação, mantendo o país entre os mais litigiosos do mundo e evidenciando a sobrecarga estrutural do sistema judicial.
De acordo com Victor Rizzo, Diretor Executivo da INOV.AI, o crescimento do contencioso não é pontual, mas estrutural. “Após a pandemia, houve uma aceleração muito forte na entrada de novos processos. Só na área cível, a distribuição cresceu cerca de 160%, enquanto no trabalhista o aumento chegou a 200% nos últimos cinco anos. Isso criou um cenário de pressão permanente sobre escritórios e departamentos jurídicos, que precisam entregar mais com menos recursos”, afirmou.
Segundo o executivo, o volume diário de novas ações distribuídas no país ajuda a dimensionar o problema. “Estamos falando de dezenas de milhares de processos ingressando todos os dias no Judiciário brasileiro. Sem ganhos reais de eficiência, esse modelo se torna insustentável no médio prazo”, disse.
É nesse contexto que a inteligência artificial surge como fator de ruptura. Segundo Rizzo, não se trata de substituir advogados, mas de automatizar tarefas repetitivas e operacionais que consomem tempo e recursos. “Essas ferramentas permitem que os escritórios reduzam o trabalho manual e aumentem a velocidade e a precisão dos processos internos”, explicou Rizzo. “Ao automatizar cadastros e classificar publicações de forma confiável, conseguimos liberar os profissionais para atividades estratégicas, sem comprometer a qualidade do serviço ou a segurança dos dados.”
Os ganhos são mensuráveis. A automação, de acordo com Diretor Executivo da INOV.AI, permite redução de custos entre 50% e 60% e aceleração dos fluxos internos em até 70%. “Em um escritório que recebe cerca de 3 mil novos processos por mês, a economia pode chegar a R$ 160 mil por ano, destaca Rizzo.
O debate ocorre em um momento em que o mercado global de legal tech cresce em ritmo acelerado, impulsionado pela popularização da IA generativa e por investimentos bilionários em soluções jurídicas baseadas em dados. Escritórios que conseguem liberar suas equipes do trabalho operacional passam a atuar de forma mais estratégica, oferecendo serviços de maior valor agregado, como jurimetria, análise preditiva e inteligência jurídica.
“A inteligência artificial não vai acabar com a advocacia. Ela sempre será uma ferramenta”, afirmou Rizzo. “Mas advogados e escritórios que usam IA tendem a substituir aqueles que não usam. Isso já aconteceu em outros setores. É um processo de seleção natural.”
Diante da avalanche de processos, da pressão econômica e do avanço tecnológico sem precedentes, a mensagem é clara: a adoção inteligente de tecnologia deixou de ser uma escolha estratégica de longo prazo e passou a ser um fator imediato de sobrevivência no mercado jurídico.
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