Recentemente, em uma reunião com lideranças locais, algo me chamou a atenção: um sentimento crescente de desamor por Cuiabá. Como presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá), senti que era necessário confrontar esse sentimento com a frieza dos números. Os dados estão disponíveis para quem quiser enxergar, e eles nos mostram que o futuro não espera por ninguém.
Mato Grosso vive um momento histórico de aquecimento econômico, consolidando-se como o líder nacional em crescimento real, com uma alta impressionante de 661% nos últimos 30 anos. Somos o motor da economia brasileira, atraímos investimentos pesados, ostentamos a menor taxa de desemprego do País e fortalecemos nossa indústria. No entanto, enquanto o interior do estado dispara, Cuiabá e a Baixada Cuiabana patinam em um crescimento modesto, muito aquém do potencial que deveriam entregar como centro político e econômico.
Os dados do IBGE que comparam a evolução do PIB municipal entre 2010 e 2020 revelam um cenário que exige reflexão. É natural que cidades mais jovens e com fronteiras agrícolas em expansão apresentem saltos percentuais maiores, pois crescem sobre uma base menor. No entanto, o que nos preocupa é o ritmo de Cuiabá.
A capital cresceu 98% em dez anos, atingindo R$ 23 bilhões. Embora o volume absoluto seja expressivo, o vigor dessa marca se dilui quando notamos que a nossa região não acompanha a dinâmica de desenvolvimento do estado. Enquanto polos do interior avançam a passos largos, Cuiabá e Várzea Grande apresentam os desempenhos mais tímidos da lista. O ponto central não é o mérito inegável do interior, mas o fato de a nossa região metropolitana estar perdendo fôlego e atratividade para novos investimentos.
Por que a capital não consegue acompanhar esse ritmo? Os gargalos são conhecidos: mobilidade urbana caótica, infraestrutura defasada e uma burocracia que muitas vezes afasta o empreendedor. Mas há um fator determinante que a CDL Cuiabá tem defendido com firmeza: a necessidade de uma justiça tributária real.
Há poucos meses, levamos à Assembleia Legislativa a urgência de uma redistribuição mais equilibrada do ICMS, por meio do Índice de Participação dos Municípios (IPM). Sem recursos proporcionais à sua relevância e aos desafios que enfrenta, Cuiabá perde a capacidade de investir na base necessária para seu fomento.
Somado a isso, o debate sobre o IPTU não pode ser ignorado. Defendemos que a revisão da Planta Genérica não seja apenas um instrumento de arrecadação, mas de equilíbrio e desenvolvimento. É preciso considerar as mudanças urbanísticas: quem possui melhor infraestrutura e valorização deve contribuir proporcionalmente, enquanto preservamos o teto de gastos para o setor produtivo. Não podemos permitir que empresas percam competitividade porque seus pontos comerciais foram desvalorizados por mudanças viárias, por exemplo, como o que ocorreu após obras da Copa ou agora, com o BRT.
Cuiabá completa 307 anos em abril. É tempo mais que suficiente para amadurecer. Mas maturidade também é saber reconhecer quando se está perdendo espaço. Precisamos discutir que cidade queremos ser em 2040. Queremos continuar crescendo abaixo do potencial do estado ou estamos dispostos a colocar na mesa propostas ousadas de desburocratização e planejamento urbano integrado? Se nós, setor produtivo e cidadãos, não tomarmos a frente desse debate, o poder público sozinho não dará conta.
É hora de pensar Cuiabá com visão de longo prazo para que o orgulho de ser mato-grossense seja sentido, com a mesma intensidade, em cada rua da nossa capital.
*Júnior Macagnam é empresário do setor de moda há mais de 20 anos e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).
-
-
-
Clique abaixo e veja também
Proteção Anti DDOS. Para seu website
Servidor dedicado no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Servidor VPS no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Hospedagem compartilhada para seus projetos online
Hospedagem Claud para seus projetos online