Há instituições que existem. E há aquelas que se impõem pela relevância. O Hospital de Câncer de Mato Grosso pertence, de forma inequívoca, ao segundo grupo.
No campo da saúde pública, existir não é apenas manter portas abertas ou contabilizar anos. É sustentar o sentido público, atravessar o tempo com responsabilidade institucional e tomar decisões que impactam vidas reais. Aos 27 anos, o Hospital de Câncer de Mato Grosso não celebra apenas uma data. Afirma uma trajetória construída com técnica, compromisso e permanência onde, por muito tempo, houve ausência.
Desde sua fundação, em 4 de fevereiro de 1999, o HCanMT compreendeu uma verdade essencial: no enfrentamento ao câncer, discursos não salvam vidas. O que salva vidas é estrutura, método, equipe qualificada, continuidade assistencial e responsabilidade ética. Em oncologia, cada decisão é uma intervenção direta no destino humano. A Neutralidade não existe.
Fruto da mobilização social e do esforço coletivo, o hospital nasceu sem improvisos e sem protagonismos individuais. Antes mesmo de ter paredes, já possuía algo fundamental: compromisso com a dignidade da pessoa humana. Ao longo de quase três décadas, esse compromisso se consolidou como método, cultura e identidade institucional.
Hoje, essa trajetória se traduz em números que refletem impacto social concreto: o Hospital de Câncer de Mato Grosso atende, mensalmente, uma média de 10 mil pacientes, entre consultas, exames, cirurgias e internações. Mais do que atendimento especializado, essas pessoas encontram uma presença institucional sólida, profissionais comprometidos e cuidado contínuo em momentos de extrema vulnerabilidade.
A história do HCanMT também expõe uma realidade incômoda: nem sempre o poder público esteve à altura da relevância da instituição. Ainda assim, ficou evidente que o hospital não é favor social, nem projeto periférico. É uma estrutura essencial da rede pública de saúde de Mato Grosso, sem a qual o atendimento oncológico no estado não se sustenta.
Sem se acomodar, o hospital evoluiu, modernizou processos, incorporou tecnologia e fortaleceu sua governança. Não por vaidade institucional, mas por dever. Em saúde de alta complexidade, estagnar é retroceder — e retroceder custa vidas.
A credibilidade do HCanMT foi construída pela coerência entre discurso e prática, guiada por uma missão clara, que é tratar pessoas como pessoas, nunca como números.
Aos 27 anos, o Hospital de Câncer de Mato Grosso não pede reconhecimento. Ele o impõe pelos fatos. É patrimônio da sociedade mato-grossense e pilar da política pública de saúde no estado.
Apoiar o HCanMT não é gesto simbólico. É uma decisão administrativa, moral e civilizatória a favor da vida. Por esses 27 anos cuidando de pessoas e salvando vidas, só gratidão, pelos anos futuros: coragem, fé, amor e esperança para cuidar dos pacientes e das suas famílias.
*Laudemir Moreira Nogueira é advogado e diretor presidente do Hospital de Câncer de Mato Grosso.
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