Vereadores do “MDB, PL “batem boca durante sessão em VG: “Você não vem me ameaçar não”
O início da sessão legislativa nesta terça-feira (20) na Câmara de Várzea Grande foi marcado por uma acalorada discussão entre o presidente da Casa, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), e o vice-presidente, vereador Bruno Rios (PL).
O embate entre os dois parlamentares ocorreu em meio a intensas movimentações políticas e investigações sobre irregularidades no âmbito legislativo. Durante a sessão, Wanderley, que estava ao lado de Bruno e com o microfone ligado, dirigiu-se ao colega com a declaração: “Você vai pagar!”. A fala provocou imediata reação do vice-presidente, que protestou firmemente contra qualquer tentativa de intimidação.
Irritado, Bruno respondeu que não admitiria ameaças em plenário. O confronto verbal aconteceu poucas horas após a deflagração da Operação Cathedra Venalis, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura suspeitas de corrupção e irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. O pleito em questão resultou na eleição antecipada de Wanderley para o período 2027/2028, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por decisão do ministro Dias Toffoli.
A reclamação que originou a anulação foi apresentada por Bruno Rios. A operação teve como alvos 15 vereadores, incluindo 13 parlamentares de Várzea Grande e dois de Cuiabá, mas o nome de Bruno Rios não consta entre os investigados. Entre as acusações sob análise estão crimes como corrupção, extorsão, ameaça, chantagem e até cárcere privado. O último ponto refere-se a acusações de que Wanderley teria organizado o isolamento de 12 vereadores em uma chácara na região dias antes da eleição, como forma de evitar interferências externas ou possíveis mudanças de posicionamento.
No momento do embate em plenário, trechos da conversa foram capturados pelo sistema de som antes do corte do microfone. Durante a troca de acusações, Bruno declarou: “Não tenho culpa, não“, ao que Wanderley retrucou: “Você vai saber na hora certa“. Em seguida, Bruno elevou o teor de sua defesa: “Ninguém vai me ameaçar aqui, não… Faz o que quiser! Eu não vou aceitar isso. Vai ameaçar outro.
Eu não tenho nada a ver com isso; eu respondo pelos meus atos, não pelos dos outros”. A eleição anulada havia sido previamente autorizada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mas acabou sendo invalidada pelo STF em maio deste ano.
O ministro Toffoli considerou que a escolha da Mesa Diretora deveria obedecer à determinação da Corte, que prevê que as eleições para cargos desse tipo só podem ocorrer a partir de outubro do ano anterior ao início do mandato. Com as investigações ainda em curso, o clima dentro e fora do legislativo municipal segue tenso, enquanto os desdobramentos da operação prometem impactar não apenas o futuro político da Câmara, mas também a gestão administrativa da cidade.
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Redação / Foto: reprodução


