Operação Ruptura CPX: facção pretendia exercer influência direta sobre os moradores do Complexo Residencial Isabel Campos em VG

Operação Ruptura CPX: facção pretendia exercer influência direta sobre os moradores do Complexo Residencial Isabel Campos em VG

O delegado Antenor Júnior Pimentel Marcondes, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco), informou que a organização criminosa investigada na Operação Ruptura CPX estava tentando estruturar, em Várzea Grande, um aparato semelhante aos complexos de favelas controlados pelo crime organizado no Rio de Janeiro. A operação, desencadeada nesta terça-feira, 31 de outubro, teve como foco o desmantelamento de uma facção atuante na região metropolitana de Cuiabá.

 

Entre os delitos associados ao grupo destacam-se: furtos de defensivos agrícolas, roubos de veículos, furtos de armas, tráfico de entorpecentes, lavagem de dinheiro, controle territorial e a prática de apologia ao crime. Conforme relatado pelo delegado, a facção pretendia exercer influência direta sobre os moradores do Complexo Residencial Isabel Campos (conhecido pela sigla “CPX”) e bairros adjacentes.

 

Essa tentativa envolveu a imposição de normas internas e ações realizadas por integrantes designados à função de “disciplina” dentro da organização. Apesar disso, o delegado salientou que a situação em Mato Grosso ainda se encontra distante da realidade enfrentada em áreas dominadas por facções no Rio de Janeiro. A denominação informal do local como complexo ou CPX chamou a atenção dos investigadores.

 

O delegado ressaltou que, diferentemente do cenário carioca, em Mato Grosso não há regiões inacessíveis à atuação policial. Ele esclareceu, ainda, que a polícia manm pleno acesso a todas as localidades do estado. No entanto, foi esse tipo de tentativa de controle territorial que acendeu o alerta nas investigações. A apuração revelou que alguns contratos realizados no local eram submetidos à aprovação prévia do setor conhecido como “disciplina” da facção.

 

Além disso, verificou-se que os moradores eram orientados, por meio de grupos de comunicação locais, a repassar informações sobre movimentações policiais e receber outras instruções operacionais. Outro aspecto destacado pelo delegado foi a implicação do cantor Odanil Gonçalo Nogueira da Costa, artisticamente conhecido como “MC Mestrão”. Segundo ele, a investigação observou um claro limite entre a liberdade de manifestação artística e as práticas que configuram apologia e promoção dos interesses da facção criminosa.

 

No contexto das apurações, as condutas do cantor foram interpretadas como enquadradas na segunda hipótese. Em relação às ações desencadeadas durante a operação, foram expedidos 13 mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão domiciliar pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Cuiabá. As ordens estão sendo cumpridas nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e São Paulo (SP).

 

As investigações conduzidas pela GCCO/Draco detalharam a estrutura funcional da organização criminosa, que incluía divisão específica de tarefas entre seus membros, exercício de controle territorial em áreas delimitadas, cobrança de taxas internas e utilização de contas bancárias pertencentes a terceiros para ocultação da origem ilícita dos recursos financeiros.

Redação JA / Video reprodução

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