Vivemos em uma sociedade marcada pelo consumo excessivo. Nas grandes cidades, comprar e descartar produtos tornou-se rotina. Industrializados, eletrônicos, embalagens, plásticos e itens de rápida obsolescência são adquiridos diariamente e descartados em pouco tempo, mas permanecem por séculos na natureza. O resultado é o acúmulo de resíduos, que ameaça não só o meio ambiente, mas também a nossa qualidade de vida.
De acordo com a ONU, se os padrões atuais não mudarem, a geração de lixo deve crescer cerca de 80% até 2050, passando de 2,1 para 3,8 bilhões de toneladas por ano. Não é só a quantidade que preocupa, mas também a toxicidade desses resíduos: pilhas, pneus, eletrônicos e plásticos, por exemplo, têm lenta decomposição, gerando severos impactos ambientais.
No Brasil, a situação não é menos alarmante. Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), reciclamos apenas 8% do lixo produzido, apesar da meta nacional estabelecida em 50% até 2040. Essa realidade contribui para problemas já comuns: enchentes, poluição, doenças e a escassez de recursos naturais. A crise ambiental não é uma miragem, ela já está instalada e exige mudanças de comportamentos, além de políticas públicas mais efetivas.
O meio ambiente não é um bem qualquer, é condição essencial para a vida. Defender sua integridade não é idealismo, e sim uma necessidade real. Não basta cobrar das autoridades, é preciso repensar nosso próprio modo de consumir.
A Constituição Federal, em seu artigo 225, assegura a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, atribuindo ao poder público e à coletividade o dever de protegê-lo não só para as atuais, como para as futuras gerações. No entanto, essa garantia só se concretizará quando todos os atores sociais- governos, empresas e cidadãos– assumirem suas responsabilidades.
Embora existam avanços legais, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), muitos municípios ainda não a implementaram de forma eficaz. A legislação trouxe importantes instrumentos, como os planos de gestão, a responsabilidade compartilhada, a logística reversa e a valorização de catadores e cooperativas. Porém, a mudança ainda é muito tímida diante da escala do problema.
É preciso refletir: até que ponto estamos dispostos a abrir mão do supérfluo e do consumo desenfreado para preservar o planeta? Ou continuaremos acumulando lixo enquanto comprometemos nosso futuro? Adotar padrões de produção e consumo mais sustentáveis, alinhados a uma consciência planetária é medida impostergável, imperativa e urgente, e que reclama um esforço multisetorial de toda sociedade.
*Edilson Rosendo da Silva é mestre em Direito pela UFMT e procurador do Município de Cuiabá.
-
Clique abaixo e veja também
Proteção Anti DDOS. Para seu website
Servidor dedicado no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Servidor VPS no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Hospedagem compartilhada para seus projetos online
Hospedagem Claud para seus projetos online