O Direito Penal há tempos deixou de ser um assunto restrito aos tribunais. Hoje, ele funciona como uma verdadeira engrenagem do país. Todos os assuntos socialmente relevantes, aqueles que causam impacto e geram divergência de opiniões como segurança pública, corrupção, liberdade de expressão, honra e os limites da atuação do Estado invariavelmente giram em torno do Direito Penal.
Nesse cenário, o papel do advogado criminalista ganha, a cada dia, mais destaque e relevância. Não se trata mais de uma atuação meramente reativa, limitada à resposta processual. A advocacia criminal moderna exige leitura de cenário, antecipação de movimentos e decisões estratégicas em um sistema penal complexo e dinâmico.
Essa atuação se torna ainda mais sensível quando o Direito se choca com a opinião pública.
Não raras vezes, o que é juridicamente garantido (a ampla defesa, o contraditório e o princípio da presunção de inocência) entra em conflito com uma condenação social precoce, alimentada pelo acesso público a informações fragmentadas. Cabendo ao advogado(a) sustentar a legalidade do procedimento, inclusive quando, na maioria das vezes, ela se torna impopular.
E com o passar dos anos, a advocacia criminal também mudou.
A nova advocacia caminha claramente para o lado da polidez. Conversar e negociar, hoje, não é ceder. É compreender o jogo, o momento e o resultado que se deseja alcançar, atuando com estratégia, inteligência e visão a longo prazo.
Antigamente, aclamava-se o embate agressivo e a atuação pautada no grito. Esse modelo já não responde às exigências do sistema. Hoje, a atuação precisa ser de uma inteligência quase manipulativa, para que se conduza o processo de acordo com o resultado pretendido.
A teoria dos jogos manda muito nesse cenário. Ela auxilia o criminalista a compreender interesses, riscos e movimentos do Estado, o que torna a advocacia criminal uma das áreas mais estratégicas e, ao mesmo tempo, mais difíceis do mercado jurídico.
O criminalista de hoje não é apenas o profissional que “faz o seu trabalho”. Isso já não basta. É necessário ter preparo constante e disciplina ao bom estilo de Ryan Holiday (autor do livro disciplina é destino). É preciso apostar no equilíbrio das relações, no bom senso jurídico e na firmeza necessária para sustentar o que é correto, mesmo sob pressão.
Tudo isso sem jamais perder de vista a defesa das próprias prerrogativas profissionais. Quando uma prerrogativa é violada, não é apenas um advogado que é atingido, mas toda a comunidade jurídica e, em última análise, a própria cidadania.
E se não bastasse, ainda há uma dimensão humana dessa advocacia: uma pitada de fé, autocuidado, atenção à própria imagem e à imagem que se deseja transmitir ao público. Porque a advocacia criminal, além da técnica, da estratégia e da postura, é alma.
Por Larissa Kretzer, advogada criminalista
-
-
Clique abaixo e veja também
Proteção Anti DDOS. Para seu website
Servidor dedicado no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Servidor VPS no Brasil. Personalizado conforme você precise.
Hospedagem compartilhada para seus projetos online
Hospedagem Claud para seus projetos online