Em um mundo cada vez mais polarizado entre potências truculentas e hegemonias tecnológicas, o Brasil permanece à margem do jogo global, apesar de deter os ativos mais cobiçados do século XXI: alimentos, energia limpa, minerais estratégicos e água. O artigo a seguir propõe uma reflexão crítica sobre como o país — e especialmente o Centro-Oeste — pode deixar de ser apenas um fornecedor para se tornar uma potência do equilíbrio. O tempo da escolha não é amanhã. É agora.
O Brasil se encontra numa encruzilhada rara na história das nações. Em um mundo polarizado entre potências truculentas e hegemonias tecnológicas, ser neutro, hoje, é ser irrelevante. E manter-se irrelevante, tendo nas mãos o que o mundo mais deseja — alimentos, água, minerais estratégicos, energia limpa e biodiversidade — é mais que miopia: é desperdício civilizacional.
É nesse contexto que o Centro-Oeste brasileiro — frequentemente reduzido ao estereótipo de “celeiro do mundo” — assume protagonismo oculto. O agronegócio, com todas as suas contradições, é mais do que um setor econômico: é um ativo geopolítico de primeira ordem. Mas falta projeto. Falta clareza de como transformar essa força produtiva em poder estratégico, tecnológico e diplomático, que posicione o Brasil não apenas como exportador, mas como formador de blocos, redes e soluções globais.
E não é só soja. O Centro-Oeste também está sentado sobre riquezas como o nióbio, o lítio, o grafite, o potássio, o sol e o vento em abundância — e, principalmente, sobre a chance de liderar o debate sobre segurança alimentar e soberania energética no século XXI.
Mas para isso, o país precisa superar a guerra simbólica que nos paralisa. O Brasil não é uma caricatura de esquerda ou de direita. O Brasil precisa ser um projeto. Um projeto de nação que pare de exportar tudo bruto — do minério ao talento humano — e comece a exportar valor, inteligência e soberania.
Hoje, as grandes potências não disputam mais apenas territórios. Disputam cadeias de suprimento, tecnologia, alimentos e minerais. Quem detém esses ativos e sabe o que fazer com eles, assume poder real. E o Brasil tem todos esses ativos. Mas, por enquanto, ainda age como fornecedor de um banquete ao qual não se senta.
Transformar o Brasil em potência do equilíbrio, respeitado por seu peso diplomático, por sua capacidade de liderança regional e por sua soberania sobre os próprios recursos, requer coragem institucional, planejamento de longo prazo e uma elite dirigente à altura dos desafios.
O futuro já chegou — mas continua passando batido por um Brasil entretido com pequenas batalhas culturais, enquanto o mundo joga um xadrez brutal. O tempo da escolha não é amanhã. É agora.
Luiz Guedes Barbosa é médico reumatologista
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