Militarização avança sem diálogo e ameaça a educação pública em Nova Maringá

Militarização avança sem diálogo e ameaça a educação pública em Nova Maringá

O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) manifesta sua crítica à ausência de efetiva participação democrática nas audiências que deliberaram sobre as 188 unidades escolares, sendo 17 votadas nesta segunda-feira (6), entre elas a Escola Estadual Osmair Pinheiro da Silva, no município de Nova Maringá.

Para o presidente do Sintep/Nova Maringá, Gelson Camargo da Silva, o aumento das escolas cívico-militares em Mato Grosso aponta uma inconsistência na maneira como o Estado tem direcionado sua política educacional.

“Ao invés de encarar as questões estruturais da rede pública de ensino, o governo estadual aposta em um formato que desloca investimentos, desvaloriza os trabalhadores da educação e substitui a atuação pedagógica especializada por pessoas sem a formação adequada para a função, deixando de lado os fundamentos que garantem uma educação pública de qualidade e com compromisso social”, frisou o dirigente.

Conforme destaca o presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes, não há como se falar em participação democrática nas audiências relacionadas ao modelo cívico-militar, uma vez que a própria gestão democrática nas escolas públicas foi desmontada. “O fim da gestão democrática eliminou os mecanismos reais de decisão coletiva, tornando qualquer consulta uma formalidade esvaziada de participação concreta”, afirmou.

Ainda segundo o dirigente, a retirada da eleição direta de diretores pela comunidade escolar e o enfraquecimento do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar representam o rompimento dos principais instrumentos de construção democrática no interior das unidades escolares.
Para o diretor da regional Médio Norte II — que inclui a subsede de Nova Maringá — Joildo Jovino de Oliveira, “mesmo diante de intensa campanha midiática promovida pelo governo em defesa do modelo, somada a pressões e constrangimentos dirigidos a servidores públicos e tentativas de silenciar e enfraquecer a comunidade escolar, o Sintep-MT reafirma sua posição firme na defesa de uma escola pública civil, democrática e socialmente referenciada, comprometida com a formação para a liberdade, o pensamento crítico e a construção de uma sociedade mais justa — e não com práticas baseadas na imposição e no medo”, defendeu.

O Sintep-MT reforça que a democracia não pode ser submetida a sucessivas tentativas até que o resultado corresponda aos interesses do governo. Consulta pública não pode se reduzir a um procedimento formal; deve representar, de fato, a expressão legítima da vontade da comunidade escolar.

A escola pública é, por essência, um espaço de pluralidade, formação crítica e respeito à diversidade. A militarização de sua gestão, especialmente sem escuta qualificada da comunidade e sem enfrentamento das reais necessidades da educação — como a precariedade da infraestrutura, a falta de profissionais, a insuficiência de materiais didáticos e a desvalorização da carreira docente — representa um desvio de prioridades e a imposição de um modelo autoritário, incompatível com os princípios da educação pública democrática.

 

Redação JA co assessoria Sintep-MT / Foto: reprodução

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