A bolsa paulista recuava mais de 1% após a abertura desta quinta-feira, com uma série de balanços corporativos ocupando as atenções, enquanto investidores repercutiam a desaceleração no ritmo de queda da taxa Selic na véspera, em decisão dividida dos diretores do Banco Central.
Por volta de 10h10, o Ibovespa recuava 1,14%, a 128.004,60 pontos. Já o dólar subia 1,18%, a R$ 5,15.
Os mercados reagiam a uma decisão muito dividida pela desaceleração do ritmo de corte da Selic na véspera, que levantou preocupações sobre mudanças no perfil do colegiado, com o Comitê de Política Monetária (Copom) também destacando em seu comunicado cenários internacional e doméstico muito incertos.
O Banco Central decidiu na véspera fazer um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 10,50% ao ano, interrompendo sequência de seis reduções seguidas de meio ponto percentual e abandonando sua indicação sobre o futuro dos juros básicos.
Segundo participantes do mercado, o que mais pesou sobre o apetite por risco foi a divisão na decisão, o que para muitos revela um viés político preocupante.
De acordo com o comunicado do Copom, a redução de 0,25 ponto foi apoiada pelo presidente Roberto Campos Neto e os diretores Carolina Barros, Diogo Guillen, Otávio Damaso e Renato Gomes. Indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ailton de Aquino, Gabriel Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira votaram por corte maior, de 0,50 ponto percentual.
Segundo Alfredo Menezes, sócio da gestora Armor Capital, o fato de todos os indicados pelo governo terem votado por maior flexibilização monetária “pode passar uma percepção de que o novo BC em janeiro será muito influenciado pelo Poder Executivo”.
Luciano Rostagno, estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, chamou a atenção para a complexidade da situação, conforme o dólar avança após um movimento de corte menor nos juros que deveria, na verdade, favorecer o real. Isso porque a moeda local fica mais atraente para investidores estrangeiros quando o Brasil oferece rendimentos mais elevados.
Segundo Rostagno, embora tenha prevalecido neste Copom uma ala de diretores que prioriza o controle da inflação –e que tende a ser mais cautelosa na redução dos juros–, o mercado sabe que muitos membros dessa vertente estão de saída.
“O mercado já está olhando para frente, vendo um risco mais adiante e colocando isso no preço… Há perspectiva de o balanço dentro do Copom se mover na direção de um colegiado mais expansionista, mais pró-crescimento econômico em detrimento de maior controle da inflação e da estabilidade macro.”
No final de 2024, Lula deverá indicar um novo presidente e mais dois diretores ao BC, conforme os mandatos de Roberto Campos Neto e dos diretores Carolina Barros e Otávio Damaso se aproximam do fim.
O diretor de Política Monetária da autarquia, Galípolo, que também já foi braço direito do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seria um dos favoritos à presidência do BC.
Rostagno, da EPS, sublinhou que a turbulência doméstica vem num momento de aversão a risco também no exterior, em meio à fraqueza de divisas emergentes e alta dos rendimentos dos Treasuries nesta quinta-feira, colaborando para o salto do dólar frente ao real.
Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 5,0914 reais na venda, em alta de 0,46%.
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