EXPECTATIVAS FRUSTRADAS: mais de mil empresas já processam governo Trump em busca de restituição de tarifas

Mais de mil empresas já processam governo Trump em busca de restituição de tarifas

Contrariando as expectativas, a Suprema Corte dos Estados Unidos não divulgou, nesta sexta-feira (9/1), sua decisão sobre a legalidade do decreto do presidente Donald Trump que, em abril, impôs tarifas às importações de produtos de quase todos os países do mundo.

Contando com expectativas de que a corte irá declarar o decreto inconstitucional, mais de mil empresas já processaram o governo, demandando restituição de tarifas aduaneiras pagas em excesso até agora.

A Suprema Corte indicou, em seu site, que esta sexta seria o primeiro dia de divulgação de decisões no ano. Mais decisões serão divulgadas nas semanas seguintes, todas de casos que já foram debatidos em audiências com sustentação oral. Agora, a corte voltará a anunciar uma ou mais decisões na próxima quarta-feira (14/1).

A postergação do anúncio aumentou a ansiedade das empresas. Elas esperavam que a decisão sobre as tarifas estaria na primeira leva de divulgação, porque a corte atendeu ao pedido do governo Trump para acelerar o julgamento sobre a legalidade das tarifas, tendo em vista as suas implicações sobre a economia e o acúmulo de devoluções, caso a decisão seja desfavorável ao governo.

 

O governo Trump arrecadou aproximadamente US$ 200 bilhões em tarifas aduaneiras até meados de dezembro do último ano. Mas nem todas as tarifas estão elencadas no processo analisado, segundo a Bloomberg.

Não estão incluídas no caso, por exemplo, as taxas de 50% impostas às importações de aço e alumínio, além de uma série de impostos de importação sobre madeira, móveis e cobre. No final das contas, estima-se que a devolução será de aproximadamente US$ 133 bilhões.

Devolução em massa

Caso a Suprema Corte declare a ilegalidade das tarifas, mais de 300 mil empresas se tornarão credoras do governo. Foram cerca de 34 milhões de importações até meados do mês passado.

E há um precedente para reembolsos em massa. Em 1998, a Suprema Corte declarou inconstitucional um imposto sobre a manutenção de portos, cobrado de exportadores, o que levou o Tribunal de Comércio Internacional dos EUA (U.S. Court of International Trade) a criar um sistema para racionalizar o processo de restituição de impostos.

Nessa época, o trâmite para as restituições foi oneroso para as empresas, que demoraram até dois anos para conseguirem o estorno do que foi gasto indevidamente.

Agora vai melhorar muito, diz a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (U.S. Customs and Border Protection), que já está se preparando para enfrentar o problema atual. O órgão anunciou que está modernizando (e simplificando) o sistema de restituição de impostos de importação.

De acordo com o CBP, o novo sistema irá processar todos os pedidos de restituição de forma eletrônica e segura, a partir de 12 de fevereiro. O órgão também informou que o Departamento do Tesouro deixará de emitir cheques em papel, de forma que as restituições serão mais rápidas. E isso irá limitar fraudes e pagamentos indevidos.

O presidente Trump ainda tem esperança de que a maioria republicana da Suprema Corte irá salvar o seu “Dia da Libertação” — o nome que deu a seu decreto tarifário. Ele pediu a seus seguidores para rezar. “Vamos esperar que nossos ministros façam a coisa certa”, escreveu em sua conta na plataforma Truth Social.

No entanto, sua empreitada poderia ser mais eficiente se pedisse ao Congresso, cuja maioria é republicana, a aprovação de um plano de tarifas recíprocas.

Afinal, como decidiram dez juízes (três da Corte de Comércio Internacional dos EUA e sete do Tribunal Federal de Recursos), a imposição de tarifas por decreto presidencial é ilegal porque, entre outras coisas, essa é uma atribuição constitucional do Congresso.

Mas boa parte dos parlamentares republicanos não concorda com as tarifas. E a explicação é óbvia: apesar de Trump insistir que outros países vão pagar trilhões de dólares em taxas aos Estados Unidos, os eleitores podem sentir, no próprio bolso, que isso não é verdade. Os preços dos produtos sobem, porque os importadores repassam o prejuízo aos consumidores.

Trump recorreu então à Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA – International Emergency Economic Powers Act), para decretar a imposição de tarifas recíprocas. Os tribunais, entretanto, decidiram que o presidente excedeu sua autoridade.

Na audiência na Suprema Corte, em 5 de novembro, pelo menos seis ministros sinalizaram, por suas intervenções nos debates, que deverão votar contra o decreto de Trump que institui as tarifas.

Uma das principais razões é a mesma apontada pelos juízes dos tribunais inferiores: a IEEPA não concede autoridade ao presidente para impor tarifas globais.

 

Fonte: Conjur / Foto : reprodução internet

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