Atual gestão, em mais uma atuação inédita, deu início ao primeiro levantamento real da população autista e neurodivergente de Várzea Grande, para saber quem são e quantos são, para então planejar e executar políticas públicas eficazes: Incluir para progredir
Em uma noite marcada por engajamento e compromisso com a inclusão, foi realizada ontem (16), em Várzea Grande, uma audiência pública que discutiu a construção de um Projeto de Lei Participativo voltado à criação de políticas públicas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições de neurodesenvolvimento. A iniciativa é da vereadora Lucélia Oliveira e contou com a presença da prefeita Flávia Moretti (PL), pais, mães atípicas, profissionais da saúde, educação, advocacia e representantes da sociedade civil.
Na abertura da audiência, a vereadora Lucélia destacou a urgência de políticas públicas efetivas e afirmou: “Queremos ir além do autismo. Queremos chegar às famílias. A inclusão não é um valor, é um direito. Falta informação, falta saber onde buscar ajuda. Essa é uma jornada de aceitação, e convido todos a tirarmos esse projeto de lei do papel. Precisamos de capacitação e inclusão. Contem comigo e com a prefeita, que participa pela segunda vez de uma audiência solicitada por mim. A presença dela aqui é fundamental para mudarmos a realidade das pessoas autistas e de suas famílias”.
A prefeita Flávia Moretti reforçou, novamente, que assumiu publicamente a causa e anunciou avanços concretos: “Parabéns pela propositura, vereadora Lucélia. Cumprimento todas as mães e pais atípicos aqui presentes, sintam-se abraçados por mim. Assumi essa bandeira com seriedade. Iniciamos o primeiro levantamento real da população autista e neurodivergentes de Várzea Grande. Precisamos saber quem são e quantos são, para então planejar e executar políticas públicas eficazes. Já começamos a tirar do papel. Estamos estruturando um centro para atendimento especializado, o que ajudará a desafogar as unidades de saúde e reduzir os custos com liminares judiciais”.
A prefeita ainda anunciou a construção da futura Casa do Autista, um centro de referência que irá reforçar o atendimento em Várzea Grande. “Vamos zerar a fila por laudos, capacitar professores e servidores públicos e construir um Plano Municipal de Inclusão. Essa é a base para destinar orçamento e transformar isso em política pública permanente, que fique como legado, como patrimônio da sociedade. Em apenas 100 dias já começamos a realizar. Imaginem o que poderemos fazer em quatro anos!”
A FORÇA DAS MÃES E A IMPORTÂNCIA DA ESCUTA – Priscilla Lima, coordenadora de políticas públicas para inclusão, emocionou o público ao relatar sua experiência pessoal. “Sou mãe e avó de autistas. Não tivemos escolha, mas escolhemos lutar. O autismo não tem cura, não é uma doença é uma condição e precisa de respeito, amor e inclusão. Nosso diagnóstico é clínico, não é visível, e cada autista é único. A dor virou propósito. Queremos políticas públicas verdadeiras e empatia de verdade”.
A fonoaudióloga Anny Karoline Araújo reforçou a importância do diagnóstico precoce. “Meu filho foi diagnosticado aos dois anos. A partir daí, conseguimos garantir seus direitos, iniciar terapias e buscar qualidade de vida. O diagnóstico precoce é a porta de entrada para políticas públicas e cuidado efetivo. Ele permite construir um futuro digno. Sonho que meu filho estude, se forme, se case, viva plenamente. Por isso, estou aqui. O diagnóstico precoce transforma uma vida na escuridão em uma vida de possibilidades. Quando a gente pensa em intervenção precoce, estamos falando de oportunidades reais para essas crianças desenvolverem habilidades, se comunicarem e se inserirem no convívio social com dignidade. É um divisor de águas”.
DIREITOS GARANTIDOS POR LEI, MAS AINDA INVISÍVEIS – O advogado e professor universitário Daniel Padilha também se posicionou com firmeza. “Sou tio e padrinho de uma criança autista. Temos leis federais de 2012 que ainda não são plenamente cumpridas. O direito à matrícula, ao laudo médico, ao transporte gratuito e a acompanhamento são garantias que precisam ser conhecidas e efetivadas. A conscientização é urgente”.
O vereador Caio Cordeiro destacou o papel do poder público. “Esta audiência é um grito por visibilidade. Precisamos lutar pelos direitos das mães, avós e famílias que não sabem nem por onde começar. Estamos aqui para assumir essa causa. O futuro está em nossas mãos, e o presente é o momento de agir”.
A audiência também contou com momentos de reflexão e espiritualidade, com leitura bíblica realizada pela secretária de Assistência Social Cristina Saito e oração ecumênica conduzida pelo subsecretário de Comunicação, Fabiano Fontoura.
INCLUSÃO PARA TODOS: UM PROJETO QUE NASCE DO POVO PARA O POVO – A prefeita Flávia Moretti disse que está sendo elaborado um Projeto do Executivo com o nome “Inclusão para Todos”, que nasce da escuta popular, das demandas reais e da vivência de famílias e profissionais da causa. A expectativa é que o projeto seja encaminhado ainda este ano à Câmara Municipal.
“A audiência pública reforçou que o autismo e outras neurodivergências não podem mais permanecer invisíveis nas políticas públicas. Como disse uma das participantes, ‘o passado não tem como apagar, mas o futuro podemos construir,se formos atores do presente’”, pontou a Chefe do Executivo Municipal.
Ao final da sessão mães e pais autistas foram homenageados e receberam orientações jurídicas.
Redação JA com informações da Secom VG/ Foto: Assessoria
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