Viver em Portugal, mesmo que temporariamente e sem o olhar de turista, tem sido uma experiência de muito aprendizado. Longe da visão idealizada que muitos brasileiros têm, deparei-me com uma realidade complexa e um tema que me instigou a escrever este artigo: Emigração e Imigração: os dois lados da mesma moeda em Portugal.
É surpreendente descobrir que, segundo dados das Nações Unidas, Portugal é o quinto país europeu que mais emigra, principalmente para nações vizinhas dentro da própria Europa, em busca de melhores salários e qualidade de vida.Para nós, brasileiros, que frequentemente idealizamos a vida em Portugal como um “mar de rosas”, essa não é a perspectiva dos próprios nativos. Entre 2020 e 2022, 20% da população jovem portuguesa emigrou, evidenciando um país que, apesar de milenar, enfrenta desafios significativos e começa a questionar sua própria identidade.
Com a saída de tantos portugueses, surge a necessidade de preencher lacunas, e a imigração entra em cena. Se um país tão antigo como Portugal enfrenta problemas de emigração, a chegada de pessoas para auxiliar na manutenção da “terra de Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama” torna-se crucial. No entanto, dados do Eurostat (o equivalente ao IBGE no Brasil) revelam uma mudança no perfil dos imigrantes: enquanto há alguns anos a maioria era de brasileiros vindo com suas famílias, hoje a população imigrante é majoritariamente composta por povos árabes, indianos e africanos, nem sempre com documentação regularizada.
Essa dinâmica migratória tem gerado consequências perceptíveis. O custo de vida em Portugal tem crescido consideravelmente, a pobreza tem aumentado e a taxa de criminalidade, antes baixa, também tem registrado alta. Infelizmente, as perspectivas de mudança parecem escassas. Análises do INE – Instituto Nacional de Estatística mostram que a pobreza cresceu 6,9% entre 2022 e 2023, uma tendência linear e crescente. Atualmente, Portugal ocupa o 19º lugar entre os 27 países da União Europeia em relação à renda per capita. Ao conversar com professores e pessoas nas ruas, percebo uma preocupação latente com a imigração. E me pergunto: por que o brasileiro ainda vê Portugal como um “sonho europeu”? Muitos dizem que “não querem aprender inglês e preferem ficar por cá”, mas será essa a única razão? Talvez seja o momento de nós, brasileiros, refletirmos sobre nossas escolhas de imigração, considerando o potencial e a riqueza do nosso próprio país.
É inegável que o Brasil também enfrenta desafios semelhantes. Em 2024, o Ministério da Justiça registrou a chegada de 194.331 imigrantes, quase 50% deles venezuelanos, adicionando mais uma camada de complexidade aos problemas sociais já existentes.
O mundo todo vive uma fase migratória intensa, impulsionada por guerras, conflitos, ideologias ou a busca por melhores oportunidades. Nesse cenário de constante movimento, a questão do fechamento de fronteiras ganha força. Países como Estados Unidos, Argentina e, mais recentemente, Portugal (que busca aprovar essa medida no Congresso com apoio popular) estão apertando o rigor das suas políticas migratórias. A população portuguesa está em choque e a aprovação dessa medida parece inevitável.
Diante de tudo isso, a grande questão que permanece é: perderemos o senso de nacionalidade ao longo do tempo? Estamos vivendo um momento de readequação geográfica, histórica e social? São perguntas complexas, sem respostas imediatas, e cujo desfecho só o futuro nos revelará.
Paz, Amor e Civilidade é o que precisamos.
Ederaldo Lima: Contador e Economista, Professor da UFMT, Doutor em Contabilidade, e Phd em Economia.
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