O dólar se manteve em queda frente ao real na manhã desta sexta-feira, mesmo depois que um importante relatório de empregos dos Estados Unidos surpreendeu para cima, com participantes do mercado citando percepção de que o dado não deve alterar significativamente o plano de voo do Federal Reserve.
Às 11h (de Brasília), o dólar à vista caía 0,17%, a R$ 5,0453 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,17%, a R$ 5,0635.
O Ibovespa operava em queda de 0,70%, aos 126.537 pontos.
Os empregadores dos Estados Unidos contrataram muito mais trabalhadores do que o esperado em março e, ao mesmo tempo, aumentaram os salários, sugerindo que a economia encerrou o primeiro trimestre em terreno sólido e potencialmente adiando os cortes previstos nos juros pelo Federal Reserve este ano.
A economia norte-americana abriu 303 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, informou o Departamento do Trabalho em seu relatório de emprego nesta sexta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 200 mil vagas, com estimativas variando de 150 mil a 250 mil.
“O relatório de emprego de março trouxe dados que superaram em muito as expectativas, reforçando a visão de que o mercado de trabalho permanece aquecido nos EUA”, disse Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.
No entanto, completou ele, “não acredito que os dados alterem a percepção dos membros do Fed sobre o cenário e a busca pela confiança extra no sucesso do combate à inflação permanece. Apesar das surpresas, houve reações positivas dos mercados após a divulgação do relatório de emprego”.
Segundo Denilson Alencastro, estrategista-chefe da Geral Asset, depois de várias surpresas para cima nos dados de emprego norte-americanos nos últimos meses, é possível que o mercado já esperasse um dado mais forte do que o esperado na leitura de março, o que explicaria a reação benigna desta sexta-feira.
Além disso, ele explicou que sinais de resiliência da economia norte-americana ressoam no Brasil, podendo levar o Banco Central a não ser tão flexível nos cortes de juros de forma a evitar que o real se desvalorize demais, ao ponto de gerar pressão inflacionária.
“Obviamente, o (presidente do BC, Roberto) Campos Neto está olhando com atenção isso, porque sabe que não vai ter tanto grau de liberdade daqui a pouco se a economia americana continuar forte e o Fed adiar novamente um corte porque o entendimento é de que ainda tem essa pressão do mercado de trabalho” avaliou ele.
Quanto menos o BC cortar os juros, melhor para a moeda brasileira, que se torna mais atraente para investidores estrangeiros quando os rendimentos oferecidos pelo mercado brasileiro são mais altos.
De acordo com Alencastro, o real pode ficar sob alguma pressão até o final de 2024, ainda que se recupere ante os picos do ano atingidos neste início de abril, em meio à percepção de dificuldades do governo para atingir sua meta fiscal e aprovar medidas no Congresso. Ele citou ainda receios e volatilidade gerados por ruídos em torno de interferências do governo na Petrobras.
Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 5,0526 na venda, em alta de 0,21%.
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