Há profissões que passam despercebidas na rotina de um hospital. Elas não estampam capas de jornais, não aparecem nas estatísticas mais comentadas e, muitas vezes, nem são lembradas quando falamos sobre grandes conquistas da saúde. Mas há também aquelas que, silenciosamente, mudam vidas, não apenas prolongando o tempo, mas elevando a dignidade. Entre elas está o trabalho do profissional paliativista.
De minha autoria, a Lei nº 7.376/2025 institui em Cuiabá o Dia do Profissional Paliativista, celebrado em 31 de janeiro. A criação dessa data é o reconhecimento de uma área que representa um dos pilares da humanização na saúde. Ao olhar para esses profissionais, o município olha também para os pacientes e suas famílias, reafirmando que o cuidado deve ser integral.
Os cuidados paliativos não são uma despedida antecipada da vida, como muitos ainda imaginam. Eles são, na verdade, uma reafirmação dela. Médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, farmacêuticos e capelães, todos eles formam uma rede que acolhe, escuta, ampara e, acima de tudo, humaniza. São profissionais que seguram mãos trêmulas, que conversam sobre medos que ninguém ousa pronunciar, que rearrumam travesseiros, ajustam medicações, confortam famílias e reconhecem a dor em seus múltiplos sentidos, físico, emocional, social e espiritual.
A escolha do dia 31 de janeiro presta homenagem a um marco nacional: a inauguração do Hospital Estadual Mont Serrat, na Bahia, o primeiro hospital público brasileiro dedicado exclusivamente aos cuidados paliativos. Um lembrete de que o país avança, ainda que de forma lenta, na compreensão de que qualidade de vida deve ser prioridade até o último instante.
A lei permite que o poder público promova ações de conscientização, capacitação e valorização desses profissionais em parceria com instituições de saúde, universidades e conselhos de classe. Essa articulação é fundamental. Cuidar de quem cuida é parte essencial do fortalecimento da Política Nacional de Cuidados Paliativos, reconhecida pelo Ministério da Saúde como indispensável no Sistema Único de Saúde (SUS).
Valorizar esses profissionais é valorizar uma forma de fazer saúde baseada em empatia, diálogo e respeito. É lembrar que o sofrimento não pode ser ignorado e que ninguém deveria enfrentar sozinho suas horas mais vulneráveis. Que o Dia do Profissional Paliativista seja um compromisso contínuo de Cuiabá com a dignidade, a sensibilidade e a vida.
Katiuscia Manteli é jornalista e vereadora em Cuiabá (PSB).
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