Você já percebeu que o mundo mudou? Agora estamos tentando entender se as mudanças são mais positivas ou negativas quando o assunto é vida em sociedade, direitos, avanços da tecnologia e bem-estar coletivo.
Passamos pelo mundo VUCA, depois virou BANI, e agora temos a sensação de que ele está um pouco LOUCO.
O desafio tem sido entender o que é real e o que é artificial, em um mundo que oscila entre fantasia e realidade.
Tudo ficou acelerado, em constante transformação, e parece que, entre o online e o offline, ainda não encontramos um equilíbrio, afinal é essa somatória que constitue nossa nova vida nos tempos modernos.
O jurista quer a petição feita por IA, mas não aprendeu sobre letramento digital, veio o processo eletrônico, o julgamento virtual, e nos bancos da academia que formam os novos profissionais, se gasta tempo discutindo se o endereçamento ficaria mais elegante ou correto ao utilizar “Excelentíssimo” ou simplesmente “ao juízo”, enquanto deveríamos estar investindo tempo entendendo sobre o direito da atualidade, termos como legal operations, smart contratcs, marketing jurídico, provas digitais, planejamento de carreira, finanças entre outras áreas como direito para startups, deveriam estar na grade curricular, é como se a vida que acontecesse nos negócios, em que nós somos os consumidores, demorasse para chegar aos advogados e escritórios que oferecem os serviços, na verdade, a demora é em grande parte nos pequenos e médios escritórios.
Para a advocacia que trabalha com a fatia do contencioso de massa e o grande volume, o algoritmo, a jurimetria e a automação já estão lá há algum tempo, até o Chief AI Officer tem um lugar para se sentar.
Não bastasse grande parte da advocacia não entender o que está acontecendo, alguns acreditam que saber conversar com um modelo de LLM seja a solução de todos os problemas, esse é apenas um recurso, quando falamos em Inteligência Artificial que, em sua infância, parece superar alguns pensadores da justiça, e isso acontece porque não estamos pensando além, criticidade, criatividade e intencionalidade, somadas a uma pitada de liderança, são temas para ontem, para uma sociedade que parece já ter ultrapassando a internet das coisas.
Mas hoje, devemos falar mesmo é da advocacia Reborn.
Poderíamos falar da advocacia em suas várias transições e mudanças culturais, econômicas e intelectual, existe uma parcela que acredita que tudo precisa vir pronto e mastigado, e que acaba se encontrando perdida no processo por não acompanhar a ordem lógica e cronológica do crescimento e aperfeiçoamento do mundo e da profissão.
Mas, quero chamar sua atenção, à advocacia Reborn, essa que se formos fazer a tradução e origem etimológica, vem de renascido, que é derivado do latim “renasci”, traduzindo alguém que precisa nascer de novo, a advocacia atual lida com questões que envolvem e beiram a “LAWcura” situações que não estão na jurisprudência, que mais se aparecem com filmes de ficção científica, mas que também não deixam a Alice no pais das maravilhas, para trás, e quando pensamos em renascer, precisamos beber de outras fontes.
Vale lembrar que o direito é um ramo das ciências sociais, logo então exercer a advocacia é atividade multidisciplinar e interdisciplinar conversamos com a psicologia, temos várias bases na filosofia, e a sociologia quando aliada a tecnologia nos auxilia a compreender nosso papel em meio a tantas mudanças, sem nos esquecer da nossa tão amada e querida ética.
Precisaremos continuar estudando matérias como processo civil, e claro, endereçar a peça “ao juízo”, isso faz parte da técnica, mas quando se trata do direito material, e os fatos que insistem em não acompanhar as leis, é preciso entender que a sociedade mudou, é carro que dirige sozinho, drone que entrega comida, aspirador robô que limpa a casa e chat bot que resolve grande parte da comunicação, e isso já faz parte da nossa vida, ou será que sentimos saudades de enfrentar a fila no banco?
Considerando que a Inteligência Artificial é uma ferramenta de uso geral, que altera a forma como vivemos e nos comunicamos, a falta de contato com ela, nos priva de pertencer a advocacia e até cumprir nosso propósito.
O que é humano é agora substituído pela máquina? Não só pela máquina, em algumas situações é substituído por objetos e coisas também.
Para alguns, são sinais do fim dos tempos, prefiro pensar que são sinais de novos tempos, em que pensar pode custar caro, já não pensar e se adaptar sem as ressalvas necessárias custará nosso trabalho, nossas relações e nossa vida em sociedade como um todo.
E como seres sociáveis e relacionais que somos, formados por várias camadas, nunca foi tão atual e urgente falarmos sobre o futuro da nossa profissão, em meios ao avanços uma parcela significativa se encontra sozinha, e no sentido mais literal que possa existir, enfrentamos uma epidemia de solidão e super agentes de IA que parecem substituir o nosso trabalho, será importante nos questionarmos onde e como podemos encontrar contentamento profissional, como podemos sermos partes de redes e grupos de apoio seja para utilização de novas tecnologias, seja para nos planejarmos para o amanhã do novo jurídico.
E não pense que é só saber usar a Inteligência artificial que sua profissão estará garantida, a modernidade nos exigirá mais, uma vida entre algoritmos e habilidades sociocomportamentais, entender de gente, será mais necessário do que nunca, e os dados irão nortear muitas das nossas decisões.
A advocacia precisa ser parte do aperfeiçoamento da cultura, fazer parte desse processo de mudança é assumir um papel de protagonismo, isso é para a advocacia de hoje e não do amanhã, afinal, podemos ser Law, mas também podemos ser Cura, sob o aspecto do acróstico (criticidade uma raridade atual), para isso, a advocacia precisa renascer em criatividade, potencializar a sua humanidade e lutar para continuar sendo indispensáveis à administração da justiça.
Cintia Belini – Presidente da Comissão de Direito, Ciência e Tecnologia da 6ª Subseção da OAB/MT. Advogada Colaboraiva, Professora, Docente de Prática Jurídica nas Temáticas de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia aliada ao Direito e pesquisadora em ética da tecnologia.
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