Líderes de quadrilha rodavam o Brasil furtando caixas eletrônicos
A Polícia Civil de Mato Grosso identificou como Douglas Floriano e Eduardo Domingos os líderes de uma organização criminosa acusada de atacar caixas eletrônicos em Cuiabá e Várzea Grande.
A dupla, que segundo as investigações percorria diferentes estados do país para cometer os furtos, foi presa no Maranhão durante a Operação Círculo Vicioso, deflagrada nesta quinta-feira (5).
Segundo o delegado Igor Sasaki, os dois suspeitos são de Santa Catarina, possuem antecedentes por crimes da mesma natureza e percorriam o país praticando furtos a caixas eletrônicos.
“Identificamos que há duas lideranças que viajavam o Brasil todo, já foram presas no Rio de Janeiro, passaram no Nordeste, estiveram aqui no Mato Grosso e, agora, foram presas lá no Maranhão. Dois indivíduos com antecedentes por esses crimes, viajaram o Brasil todo fazendo isso”, afirmou o delegado.
De acordo com o delegado, os criminosos chegaram a Mato Grosso em dezembro de 2025 e passaram a atuar em parceria com integrantes de uma facção criminosa local, que ofereciam suporte às ações. A colaboração envolvia desde o monitoramento dos estabelecimentos até a participação na lavagem e distribuição do dinheiro furtado.
“Quando esses indivíduos que vêm de fora chegam ao Mato Grosso, eles se unem à facção criminosa para utilizar pessoas para servir como olheiros, ajudar nos furtos e para introduzir o dinheiro através de depósitos em diversas fontes bancárias”, afirmou o delegado.
As investigações apontaram que a organização era estruturada em quatro núcleos, com funções específicas. Um deles era responsável pela execução dos furtos, outro pela utilização de equipamentos tecnológicos para capturar dados sensíveis de agências bancárias, um terceiro pela lavagem de dinheiro e o último pelo recebimento e distribuição dos valores ilícitos.
A operação cumpre 74 medidas judiciais, entre elas 10 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão domiciliar, 18 autorizações para acesso a dados de dispositivos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 ordens de bloqueio de ativos financeiros. As medidas são cumpridas em Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão.
A investigação começou em janeiro deste ano e identificou seis furtos praticados entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, em estabelecimentos comerciais e instituições financeiras de Cuiabá e Várzea Grande.
Dinâmica do crime
Os criminosos utilizavam uma lança térmica, equipamento industrial capaz de atingir temperaturas de até 4 mil graus Celsius, para romper os cofres dos caixas eletrônicos. De acordo com o delegado, a ferramenta exige conhecimento técnico especializado.
Em um dos ataques, ocorrido na madrugada de 21 de janeiro, em um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande, os suspeitos conseguiram levar R$ 105 mil, mesmo após o acionamento do sistema de segurança que libera tinta sobre as cédulas.
As ações geralmente aconteciam durante a madrugada, quando os estabelecimentos estavam fechados. Em alguns casos, os criminosos abriram buracos nas paredes para entrar nos imóveis e utilizavam lonas para esconder a luminosidade produzida pela lança térmica. Eles também usavam máscaras, luvas e coberturas para dificultar a identificação.
Após os furtos, os integrantes responsáveis pela lavagem realizavam procedimentos químicos para retirar a tinta de segurança das cédulas. Na sequência, o dinheiro era depositado de forma fracionada em diferentes contas bancárias, inclusive por meio de empresas de fachada e pessoas que recebiam os valores para dar aparência de legalidade à movimentação financeira.
Segundo o delegado, a organização também utilizava equipamentos conhecidos como microchips para acessar e subtrair dados sensíveis das redes de agências bancárias.
A investigação identificou aproximadamente R$ 239 mil em prejuízos nos ataques apurados. A Justiça autorizou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados até o limite de R$ 239.980,52, com o objetivo de garantir a reparação dos danos.
Redação / Foto: reprodução



