Ministro manda PF investigar imagem “decapitada” em Cuiabá
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou nesta quarta-feira (30) que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito policial para investigar a decapitação da imagem de Nossa Senhora Aparecida no monumento religioso Cruz do Chilão, marco da religiosidade popular em Cuiabá. O ataque ocorreu na sexta-feira passada (25).
A determinação integra uma investigação feita a diversos atos de vandalismo e intolerância religiosa que estão ocorrendo em vários estados do Brasil, o que para o ministro trata-se de “ataques programados a símbolos da fé das religiões”.
O ministro informou que recebeu 10 notícias diferentes sobre ataques, vandalismo contra imagens religiosas entre os meses de agosto e setembro.
“Chegaram ao Gabinete, por vários meios, notícias de várias partes do Brasil demonstrando uma aparente onda de ataques nos últimos meses contra imagens religiosas”, argumentou o ministro na sua decisão.
O assunto Nossa Senhora Aparecida virou polêmica na Corte. No fim de semana, o ministro do STF André Mendonça havia determinado a remoção da rede de conteúdo atribuído ao candidato a presidente do PL, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de que ele retiraria a santa como padroeira do Brasil.
O tema virou assunto do seu adversário, o presidente Lula (PT), e apoiadores para desgastar o liberal na reta final da campanha.
Diversas mensagens viralízaram nas redes associando o tema ao presidenciável do PL. Ele negou que pretenda tirar o título da padroeira do país.
Embate no STF
A polarização política e guerra ideológica com o uso da imagem religiosa se ampliou no STF. No domingo (27), Dino havia derrubado com uma liminar uma decisão anterior de Mendonça, que proibiu o tipo de desinformação nas redes, e autorizou as postagens sobre a padroeira.
Na segunda-feira (28), foi a vez do ministro Luiz Fux conceder nova decisão liminar e manteve a decisão de Mendonça pela remoção do conteúdo falso.
Na realidade, a ideia de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida foi uma proposta apresentada pelo ex-deputado federal Victório Galli, em 2007, quando ele era filiado ao PTB. O projeto não avançou porque foi arquivado.
Victório Galli atualmente é candidato a deputado federal pelo PP, na Federação União Progressista, que tem ainda o União Brasil. Ele já atuou como assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2019.
Redação / Foto: Victor Ostetti/MidiaNews


