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Ex-prefeito Priminho Riva afirma que Wellington cobrava 20%, e ele ainda pedia para depositar na conta do assessor dele

Ex-prefeito Priminho Riva afirma que Wellington cobrava 20%, e ele ainda pedia para depositar na conta do assessor dele

O ex-prefeito de Juara Priminho Riva revelou em entrevista que o senador e candidato ao Governo do Estado, Wellington Fagundes (PL), praticava extorsão contra prefeituras para viabilizar a liberação de recursos federais.

 

Ele disse também que a eventual de Wellington ao Governo “seria uma tragédia”.

 

De acordo com o relato, feito ao Olhar Direto, as cobranças de propina correspondiam a 20% do valor total das emendas parlamentares destinadas aos municípios e ocorriam quando Fagundes exercia o mandato de deputado federal, entre os anos de 1997 e 2004.

 

Riva explicou que a prática atrasava e comprometia severamente a execução de obras essenciais, obrigando os gestores a buscarem apoio com produtores rurais regionais para complementar o orçamento.

“O Wellington não liberava uma emenda para um município, principalmente para o meu, se eu não pagasse para liberar. Comigo, houve uma oportunidade em que ele fez isso. Antes eu não aceitava, mas precisei fazer porque era um recurso do fundo emergencial, necessitávamos construir pontes e me vi obrigado a aceitar para ter a emenda que era direcionada por ele”, afirmou Riva.

 

“É difícil você pegar um recurso do qual tem que devolver 20% e ainda realizar as obras. Você precisa recorrer ao fazendeiro, ao sitiante, pedindo madeira e ajuda para construir, porque se retiram 20% de um orçamento que já vem defasado. Quando você vai executar, o recurso não é suficiente, a Prefeitura não tem dinheiro para bancar e você precisa sair de pires na mão”, completou.

 

As declarações também detalharam o esquema operacional utilizado para o recebimento das quantias cobradas indevidamente durante o período. Conforme o ex-gestor, o pagamento dos valores desviados de emendas públicas não era feito diretamente ao parlamentar, mas em conta bancária de um de seus assessores.

 

“Me senti extorquido, como tantos outros prefeitos também foram extorquidos. Me senti extorquido porque é um cúmulo um deputado pedir 20% do seu recurso, assim como há deputado que pedia 30%, deputado de 50%. Mas o do Wellington era 20%, e ele ainda pedia para depositar na conta do assessor dele”, disse.

 

“Tragédia”

 

Ao avaliar o cenário eleitoral para a disputa do Palácio Paiaguás, Priminho Riva destacou que ainda não definiu qual nome apoiará, mas assegurou que não votará em Fagundes em hipótese alguma, pois uma eventual gestão dele seria uma “tragédia para Mato Grosso”.

 

“Eu só sei quem eu não apoio, eu não apoio de jeito nenhum o senador Wellington Fagundes. Não apoio porque, quando ele era deputado federal e eu era prefeito, havia essa questão de deputado federal extorquir os municípios e os prefeitos. O Wellington não liberava uma emenda para um município, principalmente para o meu, se eu não pagasse para liberar. Então, eu vejo que seria uma tragédia para Mato Grosso a eleição dele”.

 

“Ele não tinha o controle das finanças como deputado federal, era o Governo Federal que tinha o controle, e ele já ficava com 20%. E hoje, se ele for o governador deste estado, você já pensou nas coisas ruins que vão acontecer? Se ele tiver a chave do cofre, aí a coisa muda. Aí não vai ser 20%, vai ser 70% ou 80%, quem sabe mais?”, encerrou.

Redação JA / Foto: reprodução

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