Os recentes episódios envolvendo empresas do setor financeiro, como os casos Banco Master e Fictor, voltaram a acender o sinal de alerta no mercado sobre a saúde financeira de grandes grupos empresariais. Nesse ambiente mais sensível, anúncios de revisão estratégica e reforço de liquidez, como o feito pela Raízen, passaram a ser acompanhados com atenção redobrada por investidores e analistas.
A companhia informou que contratou assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas estratégicas com foco em reforçar liquidez, otimizar a estrutura de capital e aprimorar a interlocução com o mercado. O movimento, porém, não significa automaticamente que a empresa esteja em crise.
Para o tributarista e especialista em Governança e Compliance Luís Garcia, empresas de grande porte costumam buscar esse tipo de apoio justamente para evitar que pressões financeiras se transformem em problemas mais graves.
“O mercado já aprendeu que esperar o caixa acabar é o caminho mais curto para uma recuperação judicial. Quando a empresa fala em diagnóstico e reforço de liquidez, o sinal predominante é de gestão preventiva de risco”, afirma.
Segundo ele, a decisão costuma indicar que houve alguma mudança no equilíbrio financeiro da companhia, seja por aumento do custo da dívida, pressão sobre o capital de giro ou necessidade de reduzir alavancagem.
Nesse cenário, governança e compliance assumem papel decisivo para impedir que tensões financeiras evoluam para crises jurídicas e reputacionais. Boas práticas ajudam a assegurar transparência, proteger administradores e manter diálogo estruturado com credores e investidores.
“Boa governança pode evitar que uma tensão financeira vire uma crise jurídica ou até uma recuperação judicial”, explica Garcia.
O especialista destaca que investidores e empresas devem observar menos o discurso e mais os sinais concretos. Comunicação clara, revisão estratégica de ativos e atuação ativa do conselho indicam reorganização saudável. Por outro lado, venda apressada de ativos, renegociações emergenciais de dívida e descumprimentos financeiros podem indicar deterioração.
Na avaliação dele, o anúncio feito pela Raízen, isoladamente, aponta mais para reorganização preventiva do que para uma crise instalada. “O desfecho dependerá da qualidade da governança, da disciplina financeira e da transparência com o mercado”, conclui.
Fonte: Luís Garcia, advogado tributarista pela USP/SP, sócio do Tax Group, administrador de empresas pela FGVe, especialista em Governança e Compliance.
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