O Pix, sistema de pagamentos instantâneos que transformou a forma como os brasileiros movimentam dinheiro desde 2020, segue ampliando seu protagonismo e quebrando recordes sucessivos. No início de dezembro, a ferramenta alcançou um novo pico histórico, com 313,3 milhões de transações realizadas em um único dia, movimentando R$ 179,9 bilhões, segundo dados do Banco Central do Brasil. O volume superou o recorde anterior, registrado em 28 de novembro, quando foram contabilizadas 297,4 milhões de operações, que somaram R$ 166,2 bilhões. Em meio a esse avanço acelerado como principal meio de pagamento do país, novas funcionalidades começam a ganhar espaço, entre elas o chamado Pix Parcelado, que busca unir a agilidade do pagamento instantâneo à flexibilidade do crédito.
A proposta é permitir que consumidores dividam compras em parcelas diretamente pelo aplicativo do banco, sem a necessidade de cartão de crédito, mantendo a simplicidade que tornou o Pix popular. A funcionalidade surge como alternativa para ampliar o acesso ao crédito, especialmente para quem não possui cartão ou enfrenta restrições no crédito tradicional, ao mesmo tempo em que preserva a experiência rápida e digital do sistema de pagamentos instantâneos.
Na prática, o Pix Parcelado funciona como uma linha de crédito concedida pela instituição financeira no momento da compra. O consumidor escolhe parcelar o valor e o lojista recebe o montante integral à vista, o que representa uma vantagem em relação ao parcelamento no cartão, que costuma envolver prazos mais longos para repasse. Os juros e as condições variam conforme a análise de risco feita pelo banco, levando em conta renda, histórico financeiro e perfil do cliente.
Apesar do avanço das ofertas no mercado, as regras e a padronização dessa modalidade ainda geram debates. Recentemente, o Banco Central optou por não criar uma regulamentação específica para o Pix Parcelado e proibiu o uso oficial do termo, embora produtos semelhantes continuem sendo oferecidos com nomes como Pix no crédito ou Parcele no Pix. A decisão reforça que, embora use a infraestrutura do Pix, a modalidade se enquadra como operação de crédito.
Entre os principais benefícios apontados por especialistas está a inclusão financeira, ao permitir que consumidores sem cartão tenham acesso ao parcelamento em compras de maior valor, como eletrodomésticos, serviços ou despesas inesperadas. Para os lojistas, a liquidez imediata melhora o fluxo de caixa e reduz a dependência de antecipação de recebíveis, prática comum no varejo com cartões de crédito. Em alguns casos, o custo do parcelamento também pode ser menor para o consumidor, dependendo das taxas aplicadas pela instituição financeira, embora não exista uma regra única no mercado.
Por outro lado, o Pix Parcelado exige atenção. A ausência de padronização regulatória pode dificultar a comparação entre ofertas, já que taxas, prazos e custos variam de acordo com o banco. Além disso, por funcionar essencialmente como um empréstimo, o consumidor assume uma dívida com incidência de juros desde a primeira parcela, que em alguns casos pode ser superior à do cartão de crédito. A facilidade de uso também pode estimular compras por impulso e aumentar o risco de endividamento se não houver planejamento.
É recomendada cautela na adoção da modalidade. Antes de parcelar uma compra via Pix, é importante comparar o custo total com outras formas de crédito, fazer simulações, avaliar o impacto das parcelas no orçamento mensal e refletir sobre a real necessidade do parcelamento. Em um cenário de Pix cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros, a funcionalidade surge como uma inovação relevante, mas que deve ser usada com consciência para não comprometer o equilíbrio financeiro.
Leandro Fiuza é CEO da SaqPay, plataforma completa de pagamentos que utiliza o Pix como motor de inovação para varejistas físicos e digitais em todo o Brasil. Formado em marketing e vendas, o empresário atuou em grandes empresas como TIM, Rodobens, MRV Construtora.
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