92,5% mais investidores: FIDCs entram em 2026 como peça central do crédito privado

92,5% mais investidores: FIDCs entram em 2026 como peça central do crédito privado

O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) entra em 2026 com escala e densidade inéditas dentro da indústria de fundos. Nos últimos 12 meses, o patrimônio líquido dos FIDCs avançou 22,5%, alcançando R$ 741,1 bilhões, o equivalente a cerca de 7% de toda a indústria. No mesmo período, a base de investidores mais que dobrou, com o número de contas saltando de 147,3 mil para 333,7 mil. O movimento ocorre em um ambiente marcado por juros elevados, maior seletividade bancária, eleições no Brasil e um cenário internacional atravessado por tensões geopolíticas, fatores que reposicionam o crédito privado atrelado à economia real como alternativa estrutural para investidores e empresas.

O avanço não se limita ao volume financeiro. A própria composição da base de investidores revela uma mudança relevante no perfil da classe. O número de investidores em geral cresceu de 2,4 mil para 34,3 mil contas, uma alta de 1.329,2%, enquanto os investidores qualificados passaram de 97,8 mil para 239,7 mil, crescimento de 145,1%. Entre os investidores profissionais, o avanço foi de 55,2%, chegando a 31,5 mil contas. Paralelamente, o mercado ganhou musculatura institucional, com aumento de 14,5% no número de gestoras de FIDCs, que passaram de 372 para 426, e expansão de 26,7% no número de classes, de cerca de 3 mil para 3,8 mil, majoritariamente fundos fechados, típicos de estratégias de longo prazo e maior rigor técnico.

Para Volnei Eyng, CEO da Multiplike, os dados ajudam a explicar por que o crédito estruturado ganhou centralidade nas decisões de alocação. “Quando o ambiente político e global fica mais volátil, o investidor passa a buscar instrumentos menos dependentes de expectativas de curto prazo. Os FIDCs se conectam diretamente a fluxos reais da economia, como recebíveis e cadeias produtivas que continuam operando independentemente do calendário eleitoral ou do ruído externo. Esse crescimento da base de investidores mostra uma leitura mais técnica sobre risco, previsibilidade e papel do crédito privado no sistema financeiro”, afirma.

Eyng destaca que a expansão da classe vem acompanhada de maior responsabilidade técnica. “O crescimento exige disciplina na originaçãoanálise criteriosa de crédito e estruturas bem desenhadas. Governança, qualidade dos lastros e proteção ao cotista são determinantes para sustentar retornos consistentes ao longo do tempo. Em 2026, com juros elevados, eleições e tensões geopolíticas no radar, a diferença entre operações bem estruturadas e aquelas com risco excessivo tende a ficar ainda mais clara”, diz. A tendência, segundo ele, é que o crédito privado siga ganhando espaço como complemento estrutural ao sistema bancário, apoiado em uma base de investidores mais ampla, institucionalizada e conectada à economia real.

 

Fonte  Multiplike

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *