ANUNCIE SUA EMPRESA AQUI EM NOSSO SITE. CLIQUE NO WHATSAPP QUE APARECE EM SUA TELA E SAIBA MAIS

Vereador cita R$ 2 milhões em negociação para barrar CPI em VG

Vereador cita R$ 2 milhões em negociação para barrar CPI em VG

O vereador de Várzea Grande Caio Cordeiro (Novo) relatou ao Ministério Público Estadual (MPE) uma suposta tentativa de negociação envolvendo até R$ 2 milhões para impedir o avanço de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a empresa União Transporte e Turismo Ltda.

 

A empresa é responsável pelo transporte coletivo do município e tem como sócio-proprietário Rômulo Botelho, irmão do deputado estadual Eduardo Botelho (MDB).

 

O depoimento integra as investigações da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na última terça-feira (20), para apurar suspeitas de corrupção, compra de votos, ameaças e organização criminosa envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Um dos principais alvos da ação foi o presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB).

 

Segundo o relatório da investigação, Caio afirmou possuir gravações de conversas nas quais teria sido sugerida a retirada da CPI mediante vantagem financeira.

 

O parlamentar também relatou que enfrentou obstáculos para fiscalizar a concessionária e que propostas legislativas relacionadas à empresa eram sistematicamente impedidas de avançar na Câmara.

 

Conforme seu depoimento, após insistir na abertura da investigação, houve uma tentativa de encaminhá-lo à Comissão de Ética da Casa, com o objetivo de cassar seu mandato.

 

“Segundo seu relato, após insistir na investigação, houve tentativa de encaminhá-lo à Comissão de Ética para cassação de seu mandato, circunstâncias que, em sua percepção, demonstrariam atuação voltada à proteção dos interesses relacionados à empresa”, diz outro trecho do documento.

 

Suposto acordo

 

Divulgação

romulo botelho

O empresário Rômulo Botelho, sócio-proprietário da União Transporte

Entre os elementos analisados pelo Gaeco estão conversas envolvendo Caio, o vereador Cilço da Cruz Filho, conhecido como Cilsinho (PV), e uma pessoa identificada como Wiliam.

 

Nos diálogos, os interlocutores teriam tentado convencer Caio a se aproximar politicamente de Wanderley, sob o argumento de que o presidente da Câmara possuía maior influência, capacidade de articulação e recursos políticos e eleitorais.

 

Também houve tentativas de persuadi-lo a desistir da CPI da União Transporte. O argumento apresentado era de que o parlamentar não conseguiria reunir votos suficientes para a investigação e que a disputa poderia provocar desgaste político.

 

Em uma das conversas, Wiliam afirmou que Wanderley manteria um acordo com o empresário Rômulo Botelho, sócio da União Transporte, empresa que seria alvo da CPI proposta por Caio.

 

Veja fac-símile: 

 

 

 

Mensagens e pressões

 

O material reunido na investigação também contém registros de possíveis pressões políticas contra Caio em razão de sua atuação na fiscalização do transporte coletivo.

 

Em uma das conversas, um interlocutor identificado como “Vereador Fei…” fez diversas tentativas de contato com o parlamentar e mencionou expressamente a CPI da União Transporte.

 

“Me atende, é pra falar da CPI da União Transporte, não tem nada de ameaçar vc não. Vc me mandou no Instagram, mas não sei que medo é esse de vcs de mim!”, diz uma das mensagens.

 

Segundo o relatório, os registros mostram sucessivas chamadas telefônicas e mensagens direcionadas a Caio, com referências à investigação da concessionária e negativas de que houvesse intenção de ameaçá-lo.

 

Veja fac-símile: 

 

 

Furto e ameaças

 

Outro episódio relatado por Caio aos investigadores foi o furto de uma mochila que continha seu notebook pessoal e documentos relacionados às fiscalizações que realizava na Câmara.

 

Entre os materiais estavam cópias das assinaturas para a abertura da CPI, contratos e documentos referentes ao transporte coletivo, além de uma gravação de conversa na qual Wanderley Cerqueira supostamente lhe teria oferecido dinheiro.

 

Dias depois, segundo o vereador, uma pessoa não identificada entrou em contato demonstrando conhecimento sobre o notebook furtado e exigindo que ele retirasse o boletim de ocorrência registrado na polícia.

 

O contato teria sido acompanhado de ameaças, inclusive com o envio da imagem de uma arma de fogo.

 

Operação Cathedra Venalis

 

A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

 

A investigação apura a existência de um suposto esquema de corrupção e negociação de apoio político envolvendo vereadores, empresários e outros agentes ligados à Câmara de Várzea Grande.

 

Além de Wanderley Cerqueira, também foram alvos os vereadores Rogerinho da Dakar (PSDB), Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Silva (Republicanos), Denival Galibert (PSB), Miguel Angel (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB) e Emerson Cesar (PP).

 

E ainda a diretora financeira da Casa, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).

 

Os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, também estão entre os investigados.

 

Os fatos seguem sob investigação.

 

Fonte: MidiaNews / Foto: Victor Ostetti/MidiaNews