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A circulação de fake news em contextos digitais: desafios e perspectivas

A circulação de fake news em contextos digitais: desafios e perspectivas

A nossa democracia é jovem, considerando que a Constituição Federal foi promulgada em 1988. Foi a partir dela que se consolidaram diversos mecanismos que fortaleceram o exercício da cidadania em nosso país.

Contudo, nos últimos anos, temos enfrentado um dos maiores desafios contemporâneos à democracia, o combate à desinformação. Pesquisas sobre o assunto indicam três principais formas de enfrentamento: a) checagem de fatos; b) busca autônoma e crítica por informações e c) educação por meio do letramento midiático e informacional. No entanto, mesmo com o auxílio dessas estratégias, reduzir a propagação das fake news continua sendo um grande desafio, tendo em vista seu forte poder de persuasão e sua rápida disseminação, especialmente por explorarem aspectos emocionais.

De forma geral, as fake news são conteúdos falsos, manipulados ou retirados de contexto, apresentados ao público, sobretudo nos meios digitais, como se fossem informações verdadeiras.

A democracia e a cidadania vêm se fortalecendo nas últimas décadas, mesmo com todos os percalços vivenciados neste período. No entanto, as duas últimas eleições presidenciais causaram um grande prejuízo ao processo de evolução da nossa democracia.

Destaco aqui a importância de organizar medidas regulatórias e mecanismos de transparência voltados à circulação de informações online, além do investimento em educação midiática, com foco no desenvolvimento de competências críticas que permitam aos cidadãos reconhecer e enfrentar conteúdos desinformativos que ameaçam o funcionamento democrático.

A veiculação de notícias falsas nos meios de comunicação e nas redes sociais não colaboram com o fortalecimento da democracia. Ao contrário, pode comprometer a credibilidade de informações sobre temas de grande relevância para a população brasileira. Infelizmente, para alguns políticos e seus assessores, vale tudo na tentativa de se eleger ou reeleger, chegando ao cúmulo estimular o descrédito na ciência.

Especialmente durante os períodos eleitorais, uma reflexão é fundamental: ninguém é dono da verdade absoluta e para o bem da nossa democracia devemos exercitar a alteridade, ou seja, debater ideias, ouvir posicionamentos diversos e compreender que nem sempre nossas ideias prevalecerão. Isso, porém, não significa que devemos transformar divergências em inimizades. São pessoas que pensam de forma diferente, mas que também podem querer o melhor para a vida coletiva em nosso país.

(*) Marcos Aurélio Silva Soares é mestre em Educação e coordenador de Cursos de Pós-Graduação na área de Educação do Centro Universitário Internacional UNINTER.