ANUNCIE SUA EMPRESA AQUI EM NOSSO SITE. CLIQUE NO WHATSAPP QUE APARECE EM SUA TELA E SAIBA MAIS

Recuperação judicial avança entre pequenas empresas

Recuperação judicial avança entre pequenas empresas

Alta ocorre em meio ao crescimento da inadimplência empresarial e chama atenção para as dificuldades financeiras enfrentadas por negócios de menor porte

O aumento das recuperações judiciais no Brasil começa a atingir com mais força as empresas de menor porte. Em junho de 2026, o país contabilizava 6.341 empresas em recuperação judicial, segundo o Monitor RGF-Bizdoc. Entre as microempresas, o número passou de 513, no início de 2023, para 1.575 CNPJs.

Os dados mostram que a dificuldade para reorganizar dívidas e manter o caixa não está restrita aos grandes grupos empresariais, que nos últimos anos concentraram alguns dos processos de recuperação judicial de maior repercussão no país.

O cenário coincide com o avanço da inadimplência. Em julho, o Brasil chegou a 9,2 milhões de empresas inadimplentes, segundo a Serasa Experian, aumento de 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. As dívidas somavam R$ 238,6 bilhões.

Para o advogado empresarial e especialista em recuperação judicial Eliseu Silveira, o crescimento entre empresas menores merece atenção principalmente porque esses negócios costumam ter menos alternativas para enfrentar períodos prolongados de dificuldade financeira.

“Uma empresa menor geralmente tem menos margem para suportar uma sequência de meses com o caixa apertado. Quando se juntam dívida bancária, fornecedores, impostos e queda na capacidade de pagamento, a situação pode se deteriorar rapidamente. Por isso, é importante que a empresa perceba os sinais antes de chegar a um nível de endividamento difícil de administrar”, afirma.

A dificuldade de acesso ao crédito também entra nessa conta. Grandes companhias conseguem recorrer ao mercado de capitais, negociar operações com fundos, vender ativos ou buscar outras formas de financiamento. Para pequenas empresas, boa parte dessas alternativas não está disponível.

A procura das empresas por crédito, por outro lado, continua crescendo. Dados da Serasa Experian apontam alta de 10,4% na demanda empresarial por crédito no acumulado de 12 meses até julho.

Segundo Silveira, o aumento da procura por recursos precisa ser analisado junto com a capacidade de pagamento das empresas.

“Crédito pode ser importante para financiar a operação ou um investimento. O problema ocorre quando novos empréstimos passam a ser utilizados apenas para pagar dívidas anteriores, sem que haja uma reorganização do negócio. Esse movimento pode aumentar o endividamento e apenas adiar uma crise que já existe”, explica.

A recuperação judicial é uma das alternativas previstas em lei para empresas que ainda possuem atividade economicamente viável, mas não conseguem cumprir suas obrigações nos prazos contratados. Durante o processo, a companhia apresenta uma proposta para reorganizar as dívidas e negociar com os credores.

Para o especialista, porém, a recuperação judicial não deve ser vista como a primeira providência diante de uma dificuldade financeira.

“Nem toda empresa endividada precisa entrar em recuperação judicial. Existem situações em que uma renegociação direta com os credores ou uma reestruturação financeira pode resolver o problema. A recuperação passa a ser considerada quando o nível de endividamento e a quantidade de credores tornam essa negociação mais complexa”, diz.

O avanço dos processos entre empresas menores também preocupa pelo efeito sobre fornecedores e outros negócios ligados a elas. Quando uma empresa deixa de cumprir seus compromissos, a dificuldade financeira pode atingir quem vende produtos, presta serviços ou depende dos pagamentos daquela operação.

Com mais empresas inadimplentes e o crescimento das recuperações entre negócios de menor porte, o acompanhamento da capacidade de pagamento das empresas ganha importância para bancos, fornecedores e para o próprio mercado. O movimento dos próximos meses deve mostrar se o avanço registrado até agora será pontual ou se a recuperação judicial continuará chegando a uma parcela maior dos pequenos negócios brasileiros.