Estudo mapeia 981 associações midiáticas entre Banco Master e termos de crise, fraude e colapso antes de qualquer delação
Pesquisa de análise de conteúdo, revela que o escândalo bancário já ultrapassou o limiar de crise corporativa e atingiu todas as dimensões institucionais do País — antes mesmo das revelações formais previstas pela delação premiada de Daniel Vorcaro
Um estudo de auditoria de associação de risco midiático realizado pelo IBEVAR -FIA Business School identificou 981 ocorrências de termos negativos de alta carga econômica, social e política diretamente vinculados ao nome do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro, na cobertura da imprensa brasileira e internacional. Das quase mil associações documentadas, 354 — ou 36% do total — ocorreram diretamente nos títulos das matérias, o indicador de maior poder de formação de opinião. O levantamento foi concluído em 28 de maio de 2026, antes das revelações esperadas com a provável delação premiada do banqueiro.
O escândalo do Banco Master, que culminou em sua liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025 e na eclosão de sucessivas operações da Polícia Federal ao longo de 2026, é classificado por especialistas como possivelmente a maior fraude bancária da história do país. O rombo estimado entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões foi viabilizado por uma estrutura composta por mais de 210 fundos de investimento e 140 empresas de fachada, utilizadas para maquiar dívidas e ocultar a real situação patrimonial da instituição. Para Claudio Felisoni de Angelo, Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School: “O Brasil, neste momento, não está apenas julgando um banco. Está julgando a qualidade das suas instituições.”
A pesquisa monitorou 33 palavras-chave organizadas em cinco dimensões analíticas: deterioração macroeconômica, instabilidade e risco do sistema financeiro, colapso institucional e perda de confiança, ilicitude e responsabilização, e magnitude do dano. Os termos com maior presença em títulos de matérias foram CRISE (28 ocorrências de alta relevância), COLAPSO (25), LIQUIDEZ (22), ROMBO (22) e FRAUDE (21). DESCONFIANÇA e PÂNICO, termos de dimensão psicossocial, atingiram 21 ocorrências de alta relevância cada — um número considerado extraordinário para palavras dessa natureza.
A dimensão de instabilidade financeira concentrou o maior volume de associações totais, com 263 ocorrências entre alta e média relevância, seguida pela dimensão de colapso institucional e perda de confiança, com 223. A análise revela ainda que 64% das associações documentadas estão no corpo das matérias — e não nos títulos —, o que os pesquisadores interpretam como um reservatório de narrativa latente pronto para emergir às manchetes quando a delação for formalizada.
O estudo aponta cinco efeitos esperados com a eventual delação premiada: explosão das ocorrências de alta relevância na dimensão criminal; migração de termos macroeconômicos do corpo das matérias para os títulos; personalização do dano, com o foco saindo da instituição para indivíduos nomeados entre políticos, magistrados e reguladores; internacionalização da cobertura, com impacto direto sobre o risco-Brasil e o câmbio; e consolidação da narrativa de captura do Estado, hoje ainda percebida de forma difusa pela mídia.
Os pesquisadores comparam o caso com os maiores escândalos da história recente do País. Ao contrário da Operação Lava Jato, que envolveu superfaturamento em obras públicas e estatais, o esquema Master operou no núcleo do sistema financeiro privado. Ao contrário do Mensalão, que foi um projeto de poder político, o caso Master é descrito como movido pela ganância financeira privada de um banqueiro que comprou o silêncio e o favorecimento institucional do Estado para continuar operando a fraude. Em escala e impacto sistêmico, a pesquisa o situa acima dos casos Marka, FonteCindam e Banestado, os comparáveis mais próximos da história bancária brasileira.
A conclusão do estudo é que a contaminação midiática do caso é inédita pela sua uniformidade: nenhuma das 33 palavras-chave monitoradas registrou zero ocorrências, e todas as cinco dimensões acumularam volumes expressivos. “Escândalos que geram esse tipo de contaminação cruzada são os que deixam marcas permanentes na memória coletiva e no desenho regulatório de um País”, afirma Felisoni. A pesquisa ressalta ainda que, diferentemente de crises econômicas — resolvíveis com instrumentos fiscais e monetários —, crises de confiança institucional exigem tempo, transparência e accountability para serem superadas.
Assessoria imprensa FIA/ Foto: reprodução

