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Fiscal da Prefeitura de Sinop é preso ao retornar de viagem internacional em investigação sobre suposta corrupção no setor imobiliário

Fiscal da Prefeitura de Sinop é preso ao retornar de viagem internacional em investigação sobre suposta corrupção no setor imobiliário

O fiscal de obras da Prefeitura de Sinop, Eliseu Rodrigues de Carvalho, foi preso nesta quinta-feira (29) por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no aeroporto do município, localizado a cerca de 500 quilômetros ao norte de Cuiabá.

 

A abordagem ocorreu após o servidor retornar de uma viagem internacional à República Dominicana, no Caribe. Eliseu está entre os investigados na segunda fase da Operação Mãos à Obra, deflagrada para apurar um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores públicos e empresários. Conforme a linha investigativa, o pagamento de vantagens indevidas teria sido utilizado para favorecer a tramitação e a aprovação de projetos imobiliários, bem como a emissão de licenças e a regularização de empreendimentos em Sinop.

 

Imagens divulgadas pela TV Centro América registraram o momento em que o fiscal caminhava em direção à saída do aeroporto e foi abordado pela equipe do Gaeco. Em outro vídeo, obtido pela reportagem, o servidor aparece sendo conduzido por policiais até sua residência. ### Investigação apura supostos pagamentos de propina entre 2017 e 2026 A segunda fase da operação foi deflagrada na quarta-feira (28).

 

As apurações se concentram na suspeita de que agentes públicos teriam exigido e recebido valores de empresários em troca de favorecimento em procedimentos vinculados à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação. Segundo as investigações, as condutas sob apuração teriam ocorrido entre 2017 e 2026. O suposto esquema envolveria a atuação de servidores em etapas administrativas relacionadas à análise de projetos, à liberação de documentos e à regularização de imóveis e empreendimentos.

 

O Ministério Público aponta que uma construtora teria desembolsado aproximadamente R$ 2,5 milhões em propina para obter a liberação de documentos referentes a pelo menos 106 imóveis. Esses valores e a vinculação dos pagamentos aos procedimentos administrativos integram as suspeitas examinadas na investigação, não constituindo, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos. 

 

Outros servidores e empresária foram presos na segunda fase Na quarta-feira (28), também foram presos os engenheiros civis da Prefeitura de Sinop Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia, além dos servidores públicos Valdinei Monteiro da Silva e Agnaldo Rael da Silva. A empresária Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, sócia da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda., igualmente foi presa durante a operação.

 

Valdinei Monteiro da Silva já havia sido alvo da primeira fase da investigação. As prisões integram as medidas adotadas no contexto da segunda etapa da Operação Mãos à Obra, que busca esclarecer a possível participação de agentes públicos e particulares no suposto favorecimento de demandas do setor imobiliário perante a administração municipal.

 

Justiça autorizou buscas contra profissionais e empresários Além das prisões, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra outros investigados, entre eles profissionais de engenharia e arquitetura, empresários e um fiscal de obras. Entre os alvos dessas medidas estão as arquitetas Bruna Maia de Freitas e Grazielly Stolarski; o fiscal de obras Samuel de Sousa Vieira; e os engenheiros civis Charles Correia da Costa e Laércio Ronei Schorr, este último também identificado como corretor de imóveis.

 

Também foram alvos das buscas os empresários Danielle da Silva Otaviano Garcia e Felipe Gabriel Russo, além de Roni de Souza, identificado como engenheiro civil, empresário e agente penitenciário. A relação inclui ainda Antônio Benedito Rodrigues e a empresa Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.

 

A condição de investigado, assim como o cumprimento de medidas de prisão ou de busca e apreensão, não equivale a uma condenação. A eventual responsabilização dos envolvidos depende da análise das provas e do devido processo legal, com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.

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Redação JA / Foto: reprodução