PF aponta que rombo no TCE pode ultrapassar R$ 145 milhões
A Polícia Federal aponta indícios de que o suposto esquema criminoso investigado no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) pode ultrapassar R$ 145 milhões e, por isso, pediu o sequestro de bens dos investigados para impedir a ocultação de patrimônio.
A informação consta na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29), e resultou na prisão do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, e de outros investigados. O ministro determinou restrições patrimoniais contra os alvos mas sem especificar valores.
Segundo a PF, a gravidade dos fatos exigiu a adoção rápida de técnicas especiais de investigação para impedir a continuidade das supostas atividades criminosas.
No documento, a autoridade policial ressalta que, mesmo diante do montante milionário mencionado, ainda existem indícios de que os crimes investigados não foram completamente dimensionados.
“Destaca que, embora a medida de sequestro patrimonial alcance aproximadamente R$ 145.000.000,00, haveria indícios de que a extensão dos delitos ainda não foi completamente identificada”, diz trecho da decisão.
A investigação aponta que, em apenas 294 dias, entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, foram identificadas movimentações financeiras consideradas suspeitas que somam R$ 75,8 milhões.
Conforme a Polícia Federal, esse levantamento não descarta a participação de outras pessoas que ainda não foram totalmente identificadas.
Os investigadores sustentam que o suposto esquema continuava em funcionamento e que havia risco de novas irregularidades caso os envolvidos permanecessem exercendo suas funções.
A PF também destacou a existência de uma previsão orçamentária de R$ 140,1 milhões para o pagamento de indenizações no exercício de 2026, verba que ainda poderia receber créditos suplementares.
Na avaliação dos investigadores, esse cenário reforçava a necessidade de medidas urgentes para interromper a suposta atuação criminosa e preservar as provas.
Sequestro de bens
O ministro Og Fernandes determinou restrições patrimoniais contra investigados, incluindo a proibição de determinadas operações societárias e de aquisição ou alienação de bens de valor superior a R$ 50 mil.
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu R$ 4,3 milhões em dinheiro, 167 relógios, 31 veículos e 16 armas com os alvos.
Os agentes também encontraram grandes quantias em moedas estrangeiras, incluindo US$ 106.865, € 19.870, £ 2 mil e 3.650 pesos argentinos.
A PF, no entanto, não informou a quem pertenciam os itens recolhidos.
Operação Tomada de Contas
Além de Sérgio Ricardo, também foram presos o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; o servidor Adriangelo Barros Antunes; a secretária-executiva Roseli Loss; e os advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva.
Os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar também foram alvos da operação e afastados de suas funções por determinação judicial, assim como o conselheiro aposentado Valter Albano, que integrava a comissão de fiscalização da corte.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suspeitas de irregularidades na gestão de contratos administrativos e na realização de pagamentos a servidores do TCE-MT.
Uma das suspeitas é de que a suspensão de contratos administrativos tenha sido utilizada como mecanismo de pressão sobre fornecedores, com tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.
Os investigadores também identificaram indícios de pagamentos irregulares a servidores e conselheiros por meio de um canal destinado a fornecedores, fora da folha salarial oficial do Tribunal.
A apuração aponta ainda movimentações financeiras atípicas, incluindo saques recorrentes de grandes quantias em espécie.
Conforme a investigação, somente em relação ao presidente afastado Sérgio Ricardo foram identificadas 150 operações de saque, que somaram aproximadamente R$ 15,6 milhões, entre janeiro e outubro de 2025.
A Polícia Federal investiga possíveis crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com a PF, os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As suspeitas seguem sob apuração.
Redação / Foto: Victor Ostetti/MidiaNews



