Farmar aura é muito mais que performar
Esse conceito foi elaborado lá na década de 1930, pelo sociólogo alemão Walter Benjamin, em seu ensaio “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”.
Já a expressão farmar é um termo que vem do mundo do games, do universo RPG, que significa coletar recursos e experiências para construir edificações, como casas, e progredir cada vez mais no jogo.
Então, “farmar aura”, pode ser entendido como “acumular experiências originais, únicas”, fazer algo que é somente seu, e que te mostra para o outro.
Nas redes sociais, isso pode ser uma via de mão dupla, porque, quando uma pessoa posta a capa de um livro, ela está farmando aura de pessoa culta. Mas será que é mesmo?
Eu, enquanto escrevo esse artigo, e cito Walter Benjamin, estou farmando aura de pesquisador, mas será que eu pesquisei mesmo? Será que eu li a obra de Benjamim? Estou farmando ou performando.
Em Cuiabá, o prefeito Abílio vetou, em espaço público, o primeiro campeonato de farmar aura da cidade. Na mídia, deu declarações homofóbicas a respeito do fenômeno, demonstrando total desconhecimento sobre o assunto, e performando para a sua claque nas redes sociais.
Mas foi um tiro no pé. Sua proibição repercutiu negativamente na imprensa nacional e
projetou ainda mais o evento, que acabou sendo acolhido pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na última sexta-feira (24/07)
Deveria Abílio parar de performar nas redes e farmar aura, de verdade, na administração da cidade que está à deriva. Serviço é que não falta.

