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Governador Pivetta rebate Jayme Campos em projeto politico

Governador Pivetta rebate Jayme Campos em projeto politico

Em ano eleitoral, o passado não some: ele vira pauta. Cada vez que a campanha esquenta, antigos fatos voltam ao debate — e cada personagem tenta contar a própria versão, para aparecer ao eleitor como o verdadeiro protagonista da virada.

Foi o que aconteceu em Mato Grosso. O governador Otaviano Pivetta rebateu declarações do senador Jayme Campos sobre quem teria sido responsável por aproximar Mauro Mendes do grupo que venceu as eleições de 2018. Jayme disse que “pegou na mão” de Mauro e ajudou a projetá-lo. Pivetta, no entanto, afirmou que a história não foi exatamente assim.

Segundo o governador, o antigo Democratas estava “em frangalhos” quando Mauro Mendes e Fábio Garcia assumiram a legenda e trabalharam para revitalizá-la. Além disso, Pivetta disse que Jayme “pegou uma carona” nesse movimento e que, na sequência, ele só não saiu prejudicado na eleição ao Senado — vencida apenas nos momentos finais da disputa.

No fim, não é apenas uma briga de versões. É uma disputa típica de período eleitoral: com 2026 chegando, lideranças reorganizam a memória para fortalecer narrativas que ajudem seus projetos. Quem entrou primeiro? Quem realmente puxou o processo? Quem deu impulso decisivo? E quem apareceu quando o resultado já estava ganhando forma?

Nesse contexto, Pivetta não se limita a contestar Jayme. Ele tenta garantir para si, para Mauro e para Fábio Garcia o protagonismo na construção política que levou o grupo ao poder em Mato Grosso a partir de 2019. Ao enfatizar o papel de revitalizadores do antigo DEM, o governador também busca enfraquecer a ideia de que Jayme teria sido o grande articulador dessa trajetória.

Há, porém, uma nuance que conta para a leitura eleitoral da troca: mesmo discordando, Pivetta reconheceu que Jayme teve importância política e conseguiu recursos para Mato Grosso e para municípios. Ou seja, a crítica não apaga a participação — ela ajusta o tamanho de cada papel dentro da história que será repetida na campanha.

A eleição de 2026 já começou, mesmo antes de começar de fato: não basta prometer o futuro. Também é preciso vencer a disputa pelo passado — porque quem controla a narrativa de 2018 tende a influenciar como o eleitor vai enxergar o que virá depois.

Em Mato Grosso, o recado é direto: a campanha mal avançou e os políticos já disputam até “a autoria” da fotografia que vai acompanhar a versão oficial do período. Afinal, na política, o que muda é a legenda — não a briga.

Redação JA / Foto: reprodução