Ouro (US$ 4.168): Bancos Centrais quintuplicam compras do Metal e levam cotação à máxima de 1 mês
Compras oficiais saltam de 57 para 289 toneladas no trimestre e reforçam o suporte estrutural do ouro acima dos US$ 4.100
“O ouro à vista está cotado a US$ 4.168,34 por onça-troy, com alta de 2,3% e no maior nível em 1 mês. O movimento traz uma leitura menos óbvia: a perspectiva de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã favoreceu o metal, em vez de enfraquecê-lo.
Isso ocorreu porque o petróleo recuou da máxima de US$ 102 em julho para perto de US$ 80, reduzindo o risco de inflação e derrubando de 67% para 57%, em apenas 24 horas, a probabilidade de alta dos juros americanos em setembro. O alívio sobre os juros teve impacto maior do que a redução momentânea da demanda por proteção, enquanto a ausência de um acordo definitivo ainda mantém parte do prêmio geopolítico.
Outro fator relevante está nas compras oficiais. Os bancos centrais adquiriram 289 toneladas de ouro no 2º trimestre, volume 5 vezes superior às 57 toneladas do primeiro trimestre e 62% maior do que no mesmo período de 2025. Foi o maior resultado já registrado para um segundo trimestre, criando uma base estrutural de demanda mesmo durante períodos de correção.
No Brasil, o Focus reduziu o IPCA projetado para 5,03% e a Selic para 13,75%, enquanto a produção industrial caiu 1,8% em junho, segundo recuo mensal consecutivo. Esses indicadores não determinam diretamente a cotação internacional, mas reduzem gradualmente a vantagem da renda fixa doméstica sobre o ouro. O tarifaço permanece como risco de mão dupla: amplia a procura por ativos reais diante da incerteza comercial, mas pode pressionar a inflação americana e manter o Fed cauteloso.
Nas próximas semanas, petróleo próximo de US$ 80 e menor probabilidade de alta dos juros podem consolidar o metal acima dos US$ 4.100 e abrir espaço para a região de US$ 4.200. Uma nova escalada tarifária ou geopolítica deve aumentar a volatilidade, mas a retomada das compras por bancos centrais cria um suporte que o mercado não tinha com a mesma intensidade no início do ano”, Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas.
Fontes: Gueratto Press- Assessoria / Foto: reprodução

