Vocação para a magistratura: juizes de 2012 apontam carreira como difícil, mas recompensadora

A carreira da magistratura é um sonho bom, difícil de ser realizado, mas, no entanto, recompensador. Esse pensamento é unânime entre três juízes que figuram na lista dos 41 empossados em junho de 2012: Edna Ederli Coutinho, João Filho de Almeida Portela e Pierro de Faria Mendes. Eles tiveram que se dedicar muito para conquistar a possibilidade de trabalhar como juiz, em prol do cidadão e resolvendo conflitos.

Edna Ederli Coutinho, titular em Mirassol D’Oeste (300 Km de Cuiabá), conta que desde nova tinha o sonho de ser juíza e, em determinado tempo, quando era adolescente, chegou a pensar que seria impossível, diante das dificuldades financeiras para custear os estudos. Fez a primeira faculdade em Letras, porque em Tangará da Serra (239 Km a médio-norte da Capital), onde morava, não havia faculdade de Direito. Tempos depois, quando o campus universitário ofertou o curso, começou a trilhar os caminhos para a realização do sonho, e, assim, pediu o custeio do curso ao Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) para conseguir se formar.

Em julho de 1999, começou a trabalhar na Primeira Vara de Tangará da Serra e lá teve a certeza de que a magistratura era o que queria pra vida. Depois trabalhou como assessora de gabinete no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) e também no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Nesse período, continuou estudando e em 2011 foi aprovada no concurso, tomando posse em 2012.

Quando à aptidão para a magistratura destaca: “a magistratura é uma vocação, além de saber jurídico, hoje o magistrado deve assumir uma postura pró-ativa para que realmente haja efetividade material das leis. Não é mais aquela figura que fica no gabinete, em sua zona de conforto. É necessário estar preparado para assumir essa figura de agente transformador social, a própria carreira nos mostra essa necessidade”, explica.

O juiz João Filho de Almeida Portela, de Barra do Garças (509 Km a leste de Cuiabá), fica emocionado quando fala da profissão. Ele pontua que ser juiz é uma realização pessoal, profissional e também familiar e acredita que essa é uma função confiada a ele por Deus. “Sou extremamente feliz por ser juiz em Mato Grosso. A carreira me proporciona alegrias, como chegar mais próximo do jurisdicionado, e conseguir concretizar a justiça, levar esperança, permitir a concretização de direitos e mudanças sociais”, ressalta.

Natural da Bahia, o juiz chegou a Mato Grosso em 2002. Aqui fez faculdade, se casou e teve dois filhos. Antes da magistratura, foi assessor de dois juízes no Poder Judiciário mato-grossense e depois defensor público em Mato Grosso do Sul (MS). Entretanto, pontua que jamais deixou de sonhar em ser juiz, pois é uma vocação que carrega consigo. Apaixonado pelos estudos, Portela recentemente concluiu um mestrado que resultou na publicação de livro sobre precedentes obrigatórios (decisões dos tribunais que obrigatoriamente devem ser cumpridas administrativamente e judicialmente).

Já o juiz Pierro de Farias Mendes, titular da Comarca de Barra do Bugres (168 Km a médio-norte da Capital), se encantou pela carreira enquanto fazia faculdade. Ele assinala que “a magistratura não é fácil, é um caminho de perseverança e às vezes sofrido”. Segundo Mendes, o magistrado lida com problemas alheios todos os dias e precisa estar firme para sempre bem atender à população.

“A magistratura não foi um caminho fácil de seguir, mas é um caminho de perseverança. Você não pode desistir. Cada dia mais certeza de que não fui eu quem escolhi a magistratura, mas sim ela quem me escolheu. O juiz precisa ser vocacionado porque o caminho é árduo. Nós lidamos com problemas, e só com problemas. E quando esses conflitos chegam até a gente é porque as partes estão pedindo socorro. Nesse momento, é preciso ter total respeito e seriedade para dar uma resposta aos jurisdicionados”, afirma Pierro Mendes.

Ele explica ainda que a maior alegria que o trabalho proporciona é perceber que ao julgar um caso, não foi resolvido apenas um caso concreto, mas também a relação entre as partes, que é algo muito mais profundo. “Em razão disso, hoje, o Poder Judiciário tem incentivado os juízes em institutos como mediação e conciliação. Os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) vieram pra ficar e há tempos possuem grande sucesso nos resultados.”

Por: Keila Maressa/ TJMT

14, junho, 2019|