Trabalho e educação ‘salvam vidas’ de adolescentes em conflito com a lei

Más companhias, uma pistola de brinquedo e uma mochila furtada foram os ingredientes para levar G.F.S., menor de 17 anos, para Centro Socioeducativo de Cuiabá, local onde menores em conflito com a lei ficam acolhidos. A vergonha, o sentimento de tristeza no olhar da mãe e uma ‘mão amiga’ oferecida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso foram os passos para a verdadeira transformação do garoto.

 

O jovem foi flagrado pela Polícia Militar, em 2017, após furtar uma pessoa no ponto de ônibus. Ele foi encaminhado para Vara da Infância e Juventude e o juiz determinou o cumprimento de medida socioeducativa. Além disso, foi solicitado que ele concluísse o curso de alfabetização e que fosse matriculado em uma escolinha de futebol.

 

“A medida mais usada aqui no Juizado é a liberdade assistida, juntamente com a prestação de serviços junto à comunidade. Eles são encaminhados aos Centros de Referência de Assistência Social (Cras/Creas) e o município fica responsável por disponibilizar serviços em abrigos e casas lares. No Fórum e na prefeitura há o projeto ‘Meninos do Futuro’, que fornece vagas que são reservadas aos adolescentes em conflito com a lei”, pontuou o juiz da Segunda Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, Jorge Alexandre Martins.

 

Para o magistrado, é essencial o esforço de todos os entes públicos em busca da recuperação dessas crianças e adolescentes. “Há esperança para esses jovens, há recuperação. Temos que trabalhar com eles agora para que não sejam cooptados pelo crime organizado. Se não cuidarmos das crianças do nosso país, podemos construir todas as cadeias do mundo que não serão suficientes. Precisamos levar cursos, vagas de estágio, igrejas e toda a ajuda da comunidade para a recuperação desses menores que delinquiram. O Estado e a sociedade precisam abraçar esses adolescentes”, concluiu.

 

G.F.S. acredita que a oportunidade oferecida foi um grande milagre para lhe tirar da vida transgressora. “Estou aqui trabalhando por minha mãe. Ela precisou ir lá no Centro de Ressocialização me buscar. Isso me tocou muito, fiquei muito triste por fazer ela passar por aquela vergonha. Então, assim que pude, fui na procuradoria até conseguir falar com o promotor. Falei que queria sair daquela vida e começar a trabalhar. Na mesma hora ele me perguntou: ‘você quer mesmo trabalhar?’. Eu confirmei. Ele levantou da cadeira e foi falar com o juiz do Jecrim. Foi de Deus mesmo!”, narrou o adolescente, que hoje cursa o segundo ano do Ensino Médio.

 

Emocionada, a mãe explicou que hoje o filho é outra pessoa e a ajuda financeiramente nas despesas de casa com a bolsa-auxílio paga pelo estágio. “Ele mudou bastante e agora não mente, não fica saindo à noite. Vem para o trabalho e de lá para escola e passou a ajudar em casa financeiramente. Eu ajoelhei muito e orei por essa benção”, comentou a dona de casa Cristiane Aparecida de Souza.

 

A gestora judiciária do cartório do Jecrim, Paola Pouso Gracioli, que trabalha ao lado de G.F.S., teceu elogios ao estagiário, que já trabalha no local há mais de um ano. “Ele é uma pessoa muito solícita, inteligente, prestativa e temos bastante confiança nele. Tudo que peço ele está pronto e atento para fazer. Ele está no caminho certo e acredito que essa oportunidade mudou a vida dele”, avaliou.

 

Para o juiz responsável pelo Jecrim, Mário Kono, é necessário ampliar as oportunidades a essas pessoas. “Principalmente a responsabilidade do trabalho e a satisfação de poder contribuir em casa com alguma forma financeira, para que não voltem ao mundo do crime. Eles dão uma resposta de eficiência, produtividade e têm muita vontade de agarrar a oportunidade que está sendo oferecida. Às vezes, a produção deles se equipara a um servidor efetivo, pois são muito comprometidos”, enalteceu o magistrado.

 

Redação JA 

Por; Ulisses Lalio/ TJMT

13, junho, 2019|