Ribeirinho Cidadão atende idosos no último dia do projeto em Porto de Fora

No dia em que completou 93 anos de idade, dona Mariana de Souza Brandão, moradora de Porto de Fora, no munícipio de Santo Antônio de Leverger, conseguiu renovar seu documento de identidade e CPF, graças à equipe do Ribeirinho Cidadão, que esteve na localidade na segunda-feira (25 de fevereiro), e foi até sua residência. Esse foi o último dia da etapa terrestre do projeto, encerrada com êxito ao ofertar uma série de atendimentos.

 

Lúcida, de boa conversa, mas sem conseguir caminhar até a Escola Municipal Bartolomeu Queiroz, local onde os serviços foram ofertados, agora ela está mais tranquila porque poderá continuar a receber sua aposentadoria. “Muito bom vocês virem aqui em casa, eu não consigo sair e quando preciso ir ao médico é uma dificuldade. Agradeço a todos vocês”, falou, toda risonha.

 

As equipes da Politec e da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas-MT), parceiras do Ribeirinho Cidadão, se deslocaram também até a casa do seo Antônio José de Arruda, de 85 anos, para proceder à renovação do RG para que ele possa passar pela prova de vida e continuar a receber seu benefício. Após trabalhar a vida toda na lavoura, problemas sérios na coluna o deixaram de cama. Há três anos ele não consegue se levantar e conta com a ajuda dos filhos que moram com ele. Tanto dona Mariana quanto seo José colheram digital e fizeram foto 3×4.

 

Filha de seo Antonio, a dona de casa Auxiliadora Gonçalves de Arruda contou a vida sofrida que eles levam e a dificuldade de deslocamento até a cidade de Santo Antônio de Leverger, por isso, ela agradeceu a equipe que foi atender seu pai em casa. “Foi bom demais, uma benção. Como eu ia levar o pai lá? A gente não tem carro e seria mais sofrimento e mais gasto pra quem não tem”.

 

O funcionário aposentado da Politec e voluntário do Ribeirinho Cidadão há 12 anos, Adejanir Vieira de Almeida, explicou que nesse caso, de pessoas acamadas ou com deficiência, são verificados se os documentos estão em dia e, em seguida, é realizada a coleta das digitais e feita fotografia 3×4, se necessário. 

 

“Antes demorava, em média, três meses para receber o novo documento. Agora, em 45 dias a pessoa já o terá em mãos. No caso do Ribeirinho, cada município parceiro tem um funcionário do posto de identificação que fica responsável para fazer a entrega”, complementou.

 

Quem saiu animado com o atendimento foi o lavrador Abel Magalhães.  Ele buscou orientação junto à Defensoria Pública sobre cobrança indevida de uma instituição bancária. “Agora eu sei o que fazer. O atendimento foi mil. Isso aqui é muito bom porque ajuda todo mundo. Vocês chegarem aqui ajudou porque tem gente que não sabe nem andar em Cuiabá, como que vai lá pra pedir ajuda, né?”, falou Abel, rindo.

 

Dona Clara Gonçalves da Silva foi para casa mais bonita depois de cortar e modelar o cabelo de graça. “Achei muito bom, estou me sentindo mais bonita”, falou ela, que também ganhou meias doadas pelo projeto e levou a mãe para consulta médica.

 

O defensor público Munir Arfox participou de 11 edições do Ribeirinho Cidadão. De todas, ele disse que esta, de 2019, foi a que melhor representou a situação dessas comunidades que vivem isoladas no meio do Pantanal. “Enfrentamos chuvas, áreas alagadas, difíceis de se passar. Nós que temos veículos adequados para enfrentar essas situações não tivemos acesso a algumas comunidades, imagina o que essas famílias que vivem nesses locais passam nesse período de chuva. Esse Ribeirinho representou o quanto é difícil a vida dessas comunidades. Temos que nos dedicar cada vez mais para dar assistência devida a essas pessoas. O poder público tem que olhar com bons olhos a situação dessas famílias que vivem distantes, sem acesso à saúde, educação e serviços básicos”, salientou.

 

Ao fim dos trabalhos, o juiz que coordena o Ribeirinho Cidadão no âmbito do Judiciário, José Antonio Bezerra Filho, falou que o balanço desta 12ª edição é extremamente positivo. “Tudo o que nós pensamos e idealizamos, que pudesse fazer a diferença na vida das pessoas, acontecerem. Infelizmente, tivemos intercorrências da natureza que fugiam do nosso controle e não pudemos atender as comunidades Lambari e Baía São João.  As equipes foram sempre incansáveis e dedicadas. Todo mundo fazendo a diferença, os serviços realmente acontecendo, a população feliz. O grande número de pessoas que foram atendidas superou nossas expectativas”.

 

O coordenador enfatizou a importância de cada um que participou e fez do Ribeirinho Cidadão uma realidade Pantanal adentro. “Estamos há mais de 20 dias na estrada e tudo isso só foi possível graças aos parceiros e ao comprometimento de toda a equipe. Agradeço ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, que nos confiou tamanha responsabilidade. Conduzir tudo isso é um esforço hercúleo, mas sabemos que é possível desde que tenham pessoas voltadas para fazer o bem. Finalizo esse projeto novamente com a sensação de dever cumprido, embora sabendo que sempre precisamos melhorar porque a cada ano é uma adversidade, mas mostra a viabilidade do Ribeirinho Cidadão”, finalizou.

 

O Ribeirinho Cidadão teve início com a etapa fluvial, de 4 a 14 de fevereiro. A fase terrestre foi realizada entre os dias 17 e 25 de fevereiro. Mais de 40 comunidades dos municípios de Barão de Melgaço, Poconé, Santo Antônio de Leverger e Juscimeira foram atendidas, incluindo uma aldeia indígena.

 

Por; Dani Cunha

27, fevereiro, 2019|