Relatos de disléxicos e familiares demonstram luta e superação em evento da FESMP-MT

26/10/2018 – – Não consegui bolsa para doutorado ‘sanduíche’ porque o edital não
previa minhas condições” – Andrea Basílio da Silva Chagas, doutoranda de
Psicologia pela UFMT.

“Eles achavam que era preguiça, eu era mais lerda; hoje sou graduada” –
Patrícia Ribeiro de Almeida, vice-presidente da Associação de Dislexia
de MT.

“Estou na segunda graduação e tenho dificuldades em lançar o gabarito de
notas” – Juci Ribeiro, representante da MT Mamma.

“Minha filha sofria bullying na escola. Foi muito difícil, até chegar ao
diagnóstico em São Paulo” – Gabrielle Andrade, diretora da Associação de
Dislexia MT.

Estes são trechos dos relatos trazidos durante a “I Mesa de Discussão
sobre os Direitos da Pessoa com Dislexia em Mato Grosso” promovida pela
Escola Superior do Ministério Público (FESMP-MT) e a Associação de
Dislexia, em parceria com o MPMT. Hoje elas vencem as dificuldades e
lutam pelas pessoas com dislexia em Mato Grosso.

O professor doutor da Faculdade de Psicologia da UFMT, Rauni Alves, que
estuda a dislexia, afirma que o mais difícil é justamente provar a
existência da condição. “Chamam de supostos transtornos. O TDAH
(Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e a Dislexia não são
visíveis e há entraves políticos, no ensino e na pesquisa também”,
aponta.

Detalhes de histórias

A vice-presidente da Associação de Dislexia de MT, Patrícia Ribeiro de
Almeida, tem 28 anos e descobriu a sua condição há três anos quando
estudava para concurso.

“Aprendia, entendia a matéria, mas na hora da prova, não conseguia
transmitir. Fui procurar psiquiatra para ver se tinha déficit de
atenção, porque havia na família. E na primeira consulta, ela já falou
em dislexia. Não tinha a mínima ideia. Todo o trabalho de diagnóstico
não é fácil; você precisa passar por vários profissionais e nessa
caminhada fui me descobrindo.

O que eu tinha, o que eu era, o que eu sempre tive, são apenas
dificuldades que podem ser superadas. Minha infância, passei sem muito
desgaste, não reprovei de ano, mas sempre com professor particular,
minha mãe sempre ‘em cima’. Graças a Deus, consegui passar por esse
caminho, tem muitas crianças que não conseguem.

Hoje, luto não só por mim, já me formei na faculdade. Eu luto para que
essas crianças não passem o que eu passei sem saber o que tinha. Minha
família tem um poder aquisitivo razoável e quem não tem? Essa é a nossa
preocupação. O que fazer por essas crianças?”.

A diretora da Associação de Dislexia de MT, Gabrielle Andrade, precisou
lutar pela sua filha de 15 anos que tem dislexia.

“É uma luta muito grande identificar e saber o que é. Foi em 2013, ela
tinha 9 anos e não conseguia ler e nem escrever junto com a turma. Na
escola ninguém sabia. Sofria muito bullying, não gostava da escola, tive
que muda-la de escola, já estava em processo emocional bem delicado,
pré-adolescente.

Foi muito difícil, até chegar ao diagnóstico que fiz em São Paulo. O
mundo da dislexia, conheci nesse momento. Desde então venho conhecendo
outras mães e a história se repete. Essa falta de conhecimento e de
acolhimento.

Assim, nasceu o desejo desse grupo de mães de fundar a Associação para
que as famílias consigam ampliar e ajudem seus filhos; e ajudem seus
professores. Porque os professores também não sabem. Ninguém sabe ainda
direito como lidar. Por isso, é importante falar do tema, estudar sobre
a dislexia para que vire um tema comum, evitando bullying e outras
questões.”
Dislexia MT

Você conhece alguém que vive estas experiências? Ela pode ser disléxica.
Procure a Associação de Dislexia MT, que oferece orientações e apoio às
famílias. Os contatos podem ser feitos pelos números (65) 9 9999-1973
(Gabrielle) e (65) 9 9999-3080 (Patrícia).

Leia mais:
Advogada afirma que instituições de ensino têm o dever de incluir
pessoas com dislexia
http://www.fundacaoescola.org.br/home/index.php?pg=noticias_det&id=1525&t=1

Debate sobre inclusão da dislexia na educação em MT ganha reforço de
Promotoria de Cidadania
http://www.fundacaoescola.org.br/home/index.php?pg=noticias_det&id=1524&t=1

Assessoria de Imprensa FESMP

26, outubro, 2018|