Projeto com homens agressores reduz reincidência de violência doméstica em Várzea Grande

Um trabalho realizado com homens que agrediram mulheres e cumprem pena restritiva de direito, ou que tiveram medidas protetivas advindas da Lei Maria da Penha (Lei  11.340/2006), em razão de violência doméstica, estão contribuindo para baixar os índices de reincidência desse tipo de comportamento em Várzea Grande. Nesta semana, 14 homens concluíram os encontros do projeto ‘Bem de Família’ desenvolvido pela Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Várzea Grande.

 

Ao todo, já passaram pelo projeto mais de 200 homens acusados de praticar violência doméstica. Nos encontros, participam de grupos temáticos, reflexivos e de responsabilização da Lei Maria da Penha. O Poder Judiciário fornece assistência e tratamento para a recuperação do agressor. O projeto é liderado pelo juiz diretor do Fórum, Eduardo Calmon de Almeida Cezar.

 

O trabalho nos grupos temáticos tem o objetivo de estimular mudanças de atitude e de comportamento a partir da reflexão de formas não violentas para resolução dos conflitos. Em média os homens participam de quatro reuniões, realizadas uma vez por mês – os agressores falam das histórias de vida, de como se sentem antes e depois das agressões, quais comportamentos acreditam que motivam isso e são convidados à reflexão.

 

Ao mesmo tempo, os profissionais que atuam nesses grupos – em geral psicólogos, advogados, terapeutas ocupacionais, delegados – esclarecem e ensinam sobre a Lei Maria da Penha, as consequências, sobre os diferentes tipos de violência que são enquadrados na lei, como moral, sexual, entre outras questões. “A palestra do delegado, por exemplo, foi extremamente esclarecedora. Descobri que até mexer no celular da minha companheira – sem autorização; falar de qual roupa vestir; questionar ou proibir de sair com os amigos é considerado uma agressão contra a mulher. Nós homens não temos essas informações, não buscamos saber quais são as consequências. Com esse projeto pude ver que comportamentos que considerava normais são extremamente violentos e provocam dor nas mulheres”, pontuou um dos participantes do projeto.

 

Já para Ricardo (nome fictício) esse é o momento de parar com o questionamento do passado, e focar no futuro. “Muitos de nós começamos reclamando de nossos problemas, culpando as companheiras, enfim. Mas, no fim das contas nós temos que parar de reclamar, aprender o que foi ensinado e não voltar a cometer nenhuma das atitudes que nos trouxeram até essa situação”, ponderou o rapaz que também concluiu os encontros. Outros 20 homens continuam participando até cada um completar quatro sessões.

 

Em Várzea Grande, quando o agressor é preso em flagrante é encaminhado à Delegacia e, posteriormente, segue para audiência de custódia. Quando existe a possibilidade de ser solto, comparece em juízo e, então, são fixadas algumas condições para a liberdade provisória. Entre as quais está a participação no projeto “Bem de Família”.

 

Fonte; TJMT/ Foto; Reprodução

23, agosto, 2019|