Procuradora de Justiça aposentada lança livro nesta sexta-feira (26)

A procuradora de Justiça aposentada Lilia Alves Ferreira lança sexta-feira (26) seu livro intitulado Goiabeira de Baixo Goiabeira de Cima, uma homenagem aos 300 anos de Cuiabá. O evento será às 18h na praça do Cai-Cai, localizada na avenida São Sebastião, bairro Goiabeiras, nesta capital.

Cuiabana de chapa e cruz, Lilia nasceu, cresceu e vive ainda no Goiabeiras, região antes pertencente ao subúrbio de Cuiabá e que é atualmente apontada como um local  ‘nobre e charmoso’ da cidade.

Na obra, a autora relembra sua infância e uma época feliz e saudável de sua família nesse lugar, que tinha um córrego denominado Goiabeira que o dividia entre a parte chamada de Goiabeira de Baixo e outra parte de Goiabeira de Cima.

Segundo Lilia, seu livro é “compromissado somente com o desejo de contar, e valorizar, como vivíamos no começo da formação dessa parte da cidade”.  Ela disse que espera também “contribuir com a memória da cuiabania e com a história de construção dessa calorosa cidade, além de chamar a atenção para o valioso manancial hídrico que a região do Goiabeiras apresentava tempos atrás e que desapareceu na época presente”.

“Era um local cheio de árvores frutíferas e nascentes e córregos que alimentavam com águas limpas o rio Cuiabá”, lembra Lilia, ressaltando que “agora quase tudo isso está soterrado pelo asfalto e pelo avanço da verticalização do bairro”.

Praça do Cai-Cai – Por vontade expressa de Lilia Alves Ferreira, sua obra será lançada na praça do Cai-Cai, em solenidade na qual pretende reunir a vizinhança e os moradores das ruas que antigamente eram conhecidas como Goiabeira de Baixo e Goiabeira de Cima, além de convidados.

Essa praça é designada oficialmente com o nome de Manuel José Murtinho, um renomado magistrado cuiabano que foi ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1897. Porém, popularmente, é conhecida como praça do Cai-Cai.
A origem do apelido vem do século XIX, em 1867, quando a área foi aberta como um cemitério (Cemitério do Carmo) para sepultar os mato-grossenses que lutaram na Retomada de Corumbá, na Guerra do Paraguai (1864-1870).

A forma como os corpos eram enterrados no campo santo pode ser um dos motivos da alcunha Cai-Cai, como conta Aniceto Pedroso de Arruda, morador da Avenida Ipiranga, em depoimento à Lilia e que ela registra em seu livro.

Ainda no cemitério havia uma pequena capela de taipa com a imagem de Nossa Senhora do Carmo, onde eram celebradas missas entre outras celebrações religiosas. Só na segunda metade do século XX é que começaram as mudanças que promoveram a substituição do cemitério pela praça, acompanhando a expansão da região.

Já como praça, por volta de 1970, no lugar da capelinha do cemitério foi colocado um Cruzeiro de madeira sob um pedestal de pedra canga que resistiu até 2017, quando pegou fogo por causa das velas que acendiam na sua base.

Lilia ajudou, por muitos anos, a manter a praça do Cai-Cai, cuidando não somente do espaço religioso lá instalado (e que atendeu por um bom tempo crianças e adolescentes em situação de risco), como também organizando ações para idosos e brincadeiras para meninos e meninas residentes nas proximidades.

No ano passado, Lilia Alves Ferreira, que conheceu o Cai-Cai ainda criança, de forma especial a Capela Nossa Senhora do Carmo, mandou construir um novo Cruzeiro, dessa vez de ferro, e instalou a peça no dia 1º de outubro, seguida da reza do terço a Nossa Senhora.O decreto de criação da praça Manuel José Murtinho é de agosto de 1973. Todavia, por costume dos cuiabanos de séculos atrás (XIX e XX), a alcunha Cai-Cai segue sendo usada até hoje para indicar essa área da Cuiabá do século XXI.

A obra – A obra é dividida em quatro partes: Meu verde ninho (Início do século XX), Seu rio é seu pai, e igual não há (Meados do século XX), A sombra de uma goiabeira (Ainda meados do século XX) e Amizades de uma vida toda (Século XXI).

A jornalista Sônia Zaramella é a editora do livro Goiabeira de Baixo Goiabeira de Cima e a designer Candida Bitencourt Haesbaert é a responsável pela Capa, Editoração e Projeto Gráfico da obra, produzido pela Paruna Editorial, com sede em São Paulo (SP).

A autora – Lilia Alves Ferreira é cuiabana, procuradora de Justiça de Mato Grosso aposentada. Tem 77 anos, é formada em Contabilidade, graduada em Direito e pós-graduada em Direitos Fundamentais de Crianças e Adolescentes.

Lilia exerceu muitas funções públicas e, em 1989, então Defensora Pública, foi promovida à procuradora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso, sendo a primeira mulher a exercer esse cargo no estado.

No campo das entidades e organizações não governamentais presidiu, por duas vezes, a Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP) e também a União das Ex-Alunas Salesianas de Cuiabá.

Mais da metade de sua vida foram (e são ainda) dedicados às ações sociais. Foi Diretora-Administrativa do Instituto de Promoção Humana Papa João XXIII, Coordenadora Diocesana da Pastoral do Menor de Cuiabá e, ainda, Secretária-Executiva do Fórum Estadual Permanente das Entidades Não Governamentais de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso.

Lilia Alves Ferreira foi Conselheira dos Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Conselho Estadual de Assistência Social de Mato Grosso e Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cuiabá.

Atualmente, dedica-se às atividades de apoio à educação das crianças da Creche Irmã Hylda Bodstein, no bairro Novo Paraíso II, em Cuiabá. Promove também reuniões dirigidas a grupos da Terceira idade, abordando temas variados e fomentando o relacionamento social dos idosos por meio de excursões e passeios turísticos.

24, abril, 2019|