‘Operação Mantus : EX-bicheiro Joáo Arcanjo, genro e outra quadrilha volta para traz das grades

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29), a operação “Mantus”, com o objetivo de prender, segundo a Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), duas organizações criminosas envolvidas com lavagem de dinheiro e com o Jogo do Bicho.

O delegado Luiz Henrique Damasceno, da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz), explicou durante entrevista coletiva, nesta quarta-feira (29), que os capangas do ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, preso na ‘Operação Mantus’, sequestraram e extorquiram um concorrente que tentou fazer o mesmo ‘serviço’ em Juara (695 quilômetros de Cuiabá).

 

De acordo com a polícia, uma das organizações é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues, já a outra seria liderada por Frederico Muller Coutinho. Os três estão presos. A operação visa dar cumprimento a 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.

Segundo o delegado, outra quadrilha iria implantar a concorrência em Juara. Porém, dois homens, do pessoal do Arcanjo, foram até o hotel e sequestraram a vítima (Fábio Plitz), que trabalhava para a FMC Elo, que é a empresa do Frederico Muller Coutinho. Utilizaram o mesmo modus operandi de antigamente. Disseram que eram policiais, jogaram-no no chão e depois levaram para o mato”, disse o delegado.

Depois, os capangas de João Arcanjo Ribeiro teriam exigido que a vítima apresentasse as maquininhas utilizadas no jogo do bicho, funcionando como um tipo de pagamento de resgaste. “Obrigaram que ele não voltasse mais para a cidade e que não implantasse a concorrência. Este rapaz era de Rondônia, foi ouvido e reconheceu um dos líderes do Arcanjo”, pontuou o delegado.

Disse o delegado  na coletiva, que Arcanjo foi preso na sua residência,Ele deixou sua residência em um veículo da Polícia Civil, Toyota, modelo Corolla, descaracterizado. No momento em que Arcanjo foi colocado na viatura, policiais ergueram um cobertor na grade do portão, a fim de escondê-lo dos fotógrafos e cinegrafistas que aguardavam no local. Seu genro, Giovanni Zem, foi detido no aeroporto de Guarulhos (SP) com apoio da Polícia Federal. Com um mandado de busca e apreensão a policia também encontrou na residencia de João Arcanjo R$ 201,8 mil em espécie.

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Por conta dos fatos, o delegado também afirma acreditar que a denúncia anterior feita por um bicheiro, que teria sido agredido pela equipe de Arcanjo, seja verdadeira. “Ficou demonstrado que aquilo era tudo verdade na carta de denuncia recebida.

DENUNCIA

Uma denúncia anônima dizia que Arcanjo guando estava preso, daria ordens através de seu genro. Porém, quando solto, retornou ao total comando. Um concorrente do ex-bicheiro teria introduzido o jogo do bicho em alguns pontos de Mato Grosso e Arcanjo e sua quadrilha, com objetivo de dominar o mercado novamente, supostamente teriam ameaçado de morte os concorrentes.

Alberto Jorge Toniasso teria sido ‘convidado’ a ir até o escritório onde Arcanjo trabalha atualmente. Ele disse que chegando lá foi obrigado a entregar a máquina de apostas, que foi lançada no chão e destruída. Ainda teria sido advertido que não poderia continuar atuando, já que a ‘Colibri’ seria a dona do mercado.

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DEFESA DE JOÃO ARCANJO NA ÉPOCA

João Arcanjo Ribeiro foi chamado ao Fórum de Cuiabá para dar explicações sobre os supostos novos crimes cometidos por ele após sua soltura.Disse Arcanjo ao Juiz, Eu posso ser tudo dessa vida, mas não sou bobo nem burro, estou estudando, trabalhando.

Segundo o site Ohardireto, Os suspeitos devem responder pelo crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.

O delegado titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado, Flávio Stringueta, cita a integração entre a GCCO e a Defaz como um dos pontos principais para o êxito das investigações.

Para o delegado, Luiz Henrique Damasceno, um dos coordenadores das investigações, a ação demonstra o trabalho qualificado da Polícia Civil, que por meio do uso do Laboratório de Dinheiro, visou atacar principalmente o aspecto financeiro das organizações criminosas.

A operação coordenada pela Diretoria de Atividades Especiais, conta com o apoio da Diretoria Metropolitana, Diretoria do Interior, além do auxílio do Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil na coleta dos dados, que foram trabalhados pelas equipes que atuaram diretamente no Inquérito Policial.

 

Redação JA/ Foto; Reprodução

 

29, maio, 2019|