Oficina de pais e filhos traz resultados positivos em Tangará da Serra

Os conflitos e a alienação parental têm ocorrido com maior frequência quando se trata da guarda dos filhos, devido ao número cada vez maior de rompimentos litigiosos de relacionamentos. Para auxiliar casais em separação quanto à importância do diálogo e harmonia, o Poder Judiciário de Mato Grosso tem investido nas ferramentas de pacificação social, como é o caso do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Tangará da Serra (239 Km a médio-norte de Cuiabá) que desenvolve um trabalho frequente nesse sentido e realizou a 7ª Oficina de Pais e Filhos nesta semana.

As famílias que estão passando pelo processo de separação são convidadas a participar da oficina, ainda na fase pré-processual, realizada por assistentes sociais, psicólogos e facilitadores para que possam entender que os casais se separam, mas a família continua e precisa ter uma convivência saudável. Os resultados dessas ações têm sido positivos e promove a troca de experiências entre os participantes.

A oficina, realizada na Faculdade Faest/Uniserra, teve a participação de 50 pais, 13 adolescentes e 16 crianças, e superou as expectativas. Entre os presentes estava o jovem Gabriel*, que relatou o que essa experiência significou. “A oficina me ajudou a entender melhor como me comportar com relação à separação dos meus pais, e o que preciso para ter a companhia e presença deles e, com isso, consiga ser verdadeiramente feliz”.

Passando pelo processo de separação, Mônica* também falou sobre a importância de ter participado desse momento. “A oficina é bem voltada para a realidade e trouxe situações recorrentes no nosso cotidiano, nos proporcionando a oportunidade de refletir e mudar o que for necessário para garantir um futuro melhor para os nossos filhos em todos os sentidos, proporcionando um convívio saudável com os pais. Saio muito satisfeita e grata a todos os envolvidos no projeto.”

A juíza Leilamar Aparecida Rodrigues, que coordena o Cejusc de Tangará da Serra, é uma entusiasta desse método de resolução de conflitos desde que assistiu pela primeira vez a dinâmica de uma oficina como a que está realizando. Segundo a magistrada, esses casais poderem sentir como estão lidando com a situação pela qual estão passando, principalmente quanto a guarda compartilhada quando existem atritos no final da relação e divergência na criação dos filhos.

“Os resultados são concretos para aqueles que participam. A oficina consegue sensibilizar os pais a terem uma relação mais harmoniosa entre eles. Saem de lá mudados e é um aprendizado para a vida. Os adolescentes veem que não são os únicos naquela situação depois do rompimento do casamento dos pais. A maior parte passa por esse sentimento de divisão na família e se sentem mais tranquilizados quando percebem que é algo que pode acontecer em um relacionamento e que não são culpados por isso”.

De acordo com a juiza, após as oficinas de pais e filhos tem-se notado uma redução dos atendimentos no Cejusc com relação ao tema. E a parceria com a Defensoria Pública tem auxiliado, já que, quando são procurados, encaminham os casos para os Centros Judiciários antes da propositura da ação.

Nas oficinas de pais e filhos os participantes fazem atividades que estimulam o diálogo, as relações saudáveis no âmbito familiar e superar possíveis conflitos em virtude da separação do casal.

Participaram da oficina como ouvintes estudantes de Psicologia, servidores da Defensoria Pública, além de gestores das Comarcas de Campo Novo do Parecis e Barra do Bugres, que  já passaram por capacitação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

* Nome fictício para preservar a identidade das pessoas.

 

 

Por;Dani Cunha/TJMT

23, maio, 2019|